Os juros futuros voltam a exibir uma queima relevante de prêmios de risco nesta quinta-feira (3).
Inicialmente, o movimento seguiu impulsionado pelo quadro eleitoral, diante da percepção de que a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Presidência será mais acirrada do que se esperava.
Ao longo da manhã, as taxas se afastaram das mínimas intradiárias em movimento coordenado com outras classes de ativos domésticos, mas a realização do leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional devolveu a renda fixa aos melhores níveis do dia.
Por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 operava estável ante o ajuste anterior, a 13,57%; a do DI de janeiro de 2028 cedia de 13,66% a 13,585%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 13,97% para 13,87%; e a do DI de janeiro de 2031 anotava queda de 14,235% para 14,125%.
O movimento local também é apoiado pelo exterior, após comentários menos conservadores de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed), colocarem dúvidas sobre a perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos.
Com isso, os rendimentos dos Treasuries exibem um alívio relevante, e a taxa da T-note de dez anos cai de 4,784% para 4,745%.
Assim como ocorreu nos pregões dos dois últimos dias, os juros futuros são beneficiados pela expectativa de que a eleição presidencial de outubro será apertada e pode culminar em derrota do governo e vitória de Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição.
A possibilidade de uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027 - em particular no tema fiscal - gera novamente uma reprecificação dos prêmios de risco embutidos na curva a termo.
Nesse contexto, a curva de juros futuros já vai para a sua terceira sessão seguida de forte achatamento de sua estrutura, movimento caracterizado, neste caso, como “bull flattening”, quando a diferença entre as taxas de curto e longo prazo diminui por meio de uma queda mais intensa dos juros longos.
Diante do bom momento do mercado de renda fixa local, o Tesouro Nacional encontrou espaço para realizar o segundo maior leilão de títulos prefixados deste ano, ao ofertar 31 milhões de papéis a um volume financeiro total de R$ 26,6 bilhões.
O montante só fica atrás da oferta de 16 de abril, de 33 milhões de títulos a um volume financeiro de R$ 27,2 bilhões, de acordo com dados compilados pela Eytse Estratégia, consultoria fundada pelo ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto (Demab) do Banco Central Sérgio Goldenstein.
Em termos de risco acrescido às taxas por meio da oferta, o leilão de hoje também foi o segundo mais agressivo de 2026.
Os lotes de hoje embutiram US$ 1,35 milhão de risco ao mercado, segundo a métrica de DV01, atrás apenas do montante de US$ 1,44 milhão do leilão de 28 de janeiro.
Apesar disso, os juros futuros reagiram bastante bem e tocaram as mínimas intradiárias após a realização do leilão.
Neste sentido, vale ressaltar que todos os lotes foram vendidos a taxas com viés fechado - isto é, abaixo das projeções do mercado.
“Acredito que o Tesouro aproveitou o ambiente positivo desde o início da semana, aumentou o lote a ser ofertado e foi bem efetivo.
No fim, o mercado entende como positiva essa estratégia de aproveitar interregnos benignos.
Mas, no fim, o grande ‘driver’ é essa melhora que está posta desde o início da semana”, comenta um profissional de uma casa que é dealer de mercado aberto do Tesouro.
Leilão do Tesouro bem aceito consolida queda firme de juros futuros
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