Leci Brandão se emociona com homenagem na Unidos de Bangu: 'São mais de 50 anos de carreira'; confira desfiles

 

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Cantora e compositora, pioneira na Estação Primeira de Mangueira, Leci Brandão emocionou a Sapucaí nesta primeira noite de desfiles da Série Ouro. Enredo da Unidos de Bangu, a artista veio sobre um trono no último carro da agremiação — e com o samba na ponta da língua.

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— É a primeira vez que estou sendo homenageada por uma escola do Rio. São mais de 50 anos de carreira, é muito bonito poder presenciar em vida a homenagem. Estou muito nervosa, mas a escola abraçou o enredo — disse a artista, ex-moradora de Senador Camará e Realengo, antes de cruzar a passarela do samba.

Bastava a alegoria avançar pela Avenida: o público de frisas e arquibancadas gritava para saudá-la. Acompanhada pelas sobrinhas Nuala e Letícia, além de amigos, Leci chegou à concentração de cadeira de rodas, de onde acompanhou a entrada de todos os componentes. Ela posou para fotos com os fãs e lembrou que ainda recupera seu quadro de saúde: no ano passado, a artista chegou a passar um mês internada. Segundo ela, logo estará de volta à "vida normal".

Nesta noite, isso deu certo. Na subida ao carro, que contou com a ajuda de um guindaste, os funcionários do equipamento chegaram a tentar colocá-la por uma parte onde sua cadeira de rodas não passava, o que gerou atraso da escola. Mas com tudo resolvido, após Leci ser incisiva ao orientá-los, foi só desfilar. No entanto, a apresentação excedeu em 1 minuto o tempo máximo.

União Parque Acari: enredo homenageia jornalista Haroldo Costa

Terceira escola a desfilar pela Série Ouro nesta sexta-feira, a União do Parque Acari apresentou o enredo "Brasiliana", homenagem ao grupo teatral de mesmo nome, criado por Haroldo Costa (1930-2025) em 1949 — que morreu em dezembro.

— A ideia era que o Haroldo estivesse aqui com a gente — lamenta Guilherme Estevão, carnavalesco da escola.

Inicialmente batizado de Grupo dos Novos e, depois, de Teatro Folclórico Brasileiro, o Brasiliana valorizou a cultura afro-brasileira (com música, dança e folclore) levada a mais de 50 países. Haroldo Costa — ator, diretor e comentarista de carnaval, além de jurado do Estandarte de Ouro — morreu aos 95 anos, mas foi lembrado logo na comissão de frente, com seu rosto estampando um estandarte usado pelos componentes da escola, em forma de homenagem pela Acari.

Enquanto o carnaval passado foi marcado pela perda de fantasias numa enchente, a agremiação entra na Sapucaí este ano bonita e confiante, motivo de alívio para Guilherme Estevão.

— Estamos nos aperfeiçoando o ano todo, principalmente nas fantasias. Montamos a escola com bastante antecedência — completa.

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Unidos do Jacarezinho: desfile prejudicado por incêndios

Primeira agremiação da Série Ouro a entrar na Sapucaí, a Unidos do Jacarezinho homenageia este ano o sambista Xande de Pilares. A escola, durante o ano, enfrentou dois incêndios: o primeiro, em outubro, aconteceu no barracão; já o segundo, no início deste mês, destruiu fantasias de 12 alas. Antes do início do desfile desta sexta-feira, Mattheus Gonçalves, presidente da agremiação, discursou no microfone, citando que o desfile da escola acontece mesmo sem “condições igualitárias”.

Pelos cálculos do dirigente, a escola perdeu dois terços do seu carnaval.

— A Jacarezinho vai desfilar porque vai cumprir a sua responsabilidade — observou Mattheus, após uma situação dramática na concentração.

Carros chegaram ainda na madeira e receberam a ornamentação até a entrada na Avenida, com cola e pedaços de pano. O presidente da agremiação não descarta pedir à LigaRJ que algo seja feito para que a escola não seja prejudicada.

Segundo Hugo Jr, presidente da LigaRJ, caso a escola entre com algum recurso, ele será analisado em plenária. Por enquanto, o Jacarezinho passa pelo julgamento, assim como as coirmãs, normalmente

Algumas alas atravessaram a passarela do samba sem fantasia, usando camisas com a bandeira da escola com a inscrição “comunidade”. A bateria, por sua vez, apresentou-se sem o adorno previsto para enfeitar a cabeça dos músicos. Essa situação dramática levou o carnavalesco Bruno Oliveira às lágrimas antes da apresentação por “passar um filme na cabeça” e por não imprimir “o que queria”.

— O importante é estar aqui vivo, festejar essa homenagem. O resultado são outros quinhentos — consola-se Bruno.

Fantasia de R$ 15 mil

Integrante da rosa e branco, Jorge Amarelloh é o único rei de bateria, considerando até mesmo o Grupo Especial. À frente dos ritmistas, onde reina ao lado de Karen Lopes, ele usa uma fantasia que representa a noite sombria, detalhada com pedrarias e caveiras — o que define como “muito axé”. A peça está avaliada entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

— É um cargo cobiçado mais pelas mulheres. Mas ser o único rei é muito gratificante, respeitando o espaço e trazendo a força masculina — diz ele, que também dá aulas de samba e é diretor dos passistas do Paraíso do Tuiuti.

Para aguentar a maratona na Avenida, ele detalha o que é preciso fazer nos preparativos.

— Muito treino. Gosto mais de um cardio: uma corridinha é essencial para aguentar a Avenida — completa Jorge.

A escola do Jacarezinho abre a noite com enredo sobre Xande de Pilares.