Laudos falsos, simulação de atendimentos e procedimentos inexistentes: polícia investiga clínicas de tratamento de autismo por suspeita de fraude em SP
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira uma operação contra um suposto esquema criminoso que teria usado clínicas voltadas ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para fraudar operadoras de saúde.
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Segundo a investigação, o grupo simulava atendimentos, emitia laudos médicos falsos e acionava a Justiça para obrigar planos de saúde a custear procedimentos inexistentes ou cobrados com valores inflados.
Batizada de Operação Desentendimento, a ofensiva é conduzida por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que cumprem 12 mandados de busca e apreensão na capital paulista e na região metropolitana.
No centro da apuração está a suspeita de uma estrutura montada para dar aparência de legalidade a cobranças milionárias contra operadoras de saúde. De acordo com a Polícia Civil, clínicas ligadas ao grupo investigado teriam criado um fluxo que incluía supostos atendimentos fictícios, emissão de documentos médicos falsos e ingresso de ações judiciais para forçar o custeio de tratamentos.
Segundo os investigadores, parte dos procedimentos cobrados sequer existia. Outra parte teria sido faturada com valores acima do real, gerando prejuízos financeiros e sustentando o suposto esquema fraudulento.
Investigação aponta impacto sobre famílias
A apuração também indica impacto direto sobre pacientes e familiares. Crianças e suas famílias teriam sido submetidas, segundo a investigação, a diagnósticos indevidos e intervenções terapêuticas inadequadas — situação que, de acordo com a Polícia Civil, ocorreu “em afronta a princípios fundamentais de proteção e boa-fé”.
A operação é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), unidade especializada em crimes de estelionato e delitos contra a fé pública.
Cerca de 40 policiais civis participam da ação, com apoio de 17 viaturas, entre veículos caracterizados e descaracterizados.
Agora, os investigadores buscam reunir provas para detalhar a extensão do suposto esquema, identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo causado às operadoras de saúde e às famílias atendidas.
