Laranjeiras sorri? - QTU Questões do Universo

Laranjeiras sorri?

Fonte: Bandeira da fonte

No começo da Pinheiro Machado, no muro que nos levaria ao antigo Palacete da Garça, um imponente grafite retrata a cantora Cássia Eller e traz o emblemático verso composto por Nando Reis em “All Star”, “Laranjeiras (satisfeito) sorri”.
No universo poético do paulistano, o bairro era o ápice da felicidade, afinal era o cantinho de encontro com a amiga e mais importante intérprete.
Não demorou para que os moradores, orgulhosos e outrora satisfeitos, replicassem a música aos quatro cantos.
Até hoje conheço vizinhos que se emocionam quando escutam a obra-prima fora do Brasil.
O lapso de memória e o distanciamento, mesmo que momentâneos, costumam nos impulsionar à nostalgia.
Rigoroso instrumento para avaliação da violência no Rio de Janeiro, o Mapa do Crime, criado pelo GLOBO, nos leva a uma dura realidade: Laranjeiras se tornou o paraíso dos assaltos de rua.
Sem segurança pública, até parece um parque de possibilidades aos criminosos.
Dia desses, uma banca foi arrombada.
Nas redes sociais, vídeos e mais vídeos das diversas ações de bandidos se proliferam, mostrando que é quase “cada um por si, Deus por todos”.
Se contar para um extraterrestre que a insegurança reina nas barbas do centro do poder estadual, é capaz de deixarmos de ser um assombro internacional para nos tornarmos uma vergonha intergaláctica.
Para alguns políticos que só vivem atrás de likes, isso pode até parecer um bom negócio.
Por incrível que pareça.
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Touradas em Laranjeiras
Na esquina da Rua Ipiranga com a Rua das Laranjeiras, funcionou uma praça de touradas que reuniu milhares de espectadores entre o fim do século XIX e o início do XX.
O bairro chegou a ter um clube especializado, e os “espetáculos” de fim de semana atraíam a alta sociedade carioca.
Diferentemente da Espanha, o touro não era morto ao final — o que não reduzia o sofrimento do animal, alvo de críticas de figuras como Machado de Assis, morador da região e opositor declarado da prática.
Após anos de debate, denúncias de corrupção e pressão popular, as touradas foram definitivamente proibidas no Brasil em 1908.
Quem foi o Senador Corrêa da famosa escola?
O prédio de esquina na Praça São Salvador guarda uma escola fundada ainda no Império, em 1883, por Manuel Francisco Correia ( em algumas bibliografias, Corrêa) — senador até 1889, quando o golpe republicano encerrou o regime.
Nascido em Paranaguá, ele já vinha de uma trajetória ligada ao ensino: em 1874 criou a Associação Promotora de Instrução, voltada à educação das classes populares, e abriu esta casa para formar professores.
Na República não se saiu mal, dirigindo o Tribunal de Contas sob Floriano Peixoto, enquanto o irmão, o Barão do Serro Azul, era assassinado durante a Revolução Federalista.
Cogitada para demolição por sucessivas gestões públicas, a escola foi salva pelo tombamento.
Ainda bem.
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INES: não deixe de conhecer
O prédio do Instituto Nacional de Educação de Surdos, na Rua das Laranjeiras, nasceu do encontro de três figuras improváveis: um professor francês surdo, um marquês diplomata e um médico sergipano.
Eduard Huet, formado no instituto de surdos de Paris e ex-diretor da escola de Bourges, escreveu a Dom Pedro II em 1855 propondo criar aqui a primeira escola para pessoas surdas do país.
Não demorou para receber o apoio e o empenho do Marquês de Abrantes, encarregado pelo governo imperial de tirar o projeto do papel.
As aulas começaram em 1856.
A data oficial de fundação, 26 de setembro de 1857, é a da lei que garantiu verba e pensões para alunos pobres.
Depois de anos de decadência, o instituto foi reerguido pelo médico Tobias Rabello Leite, diretor por quase 30 anos.
A escola chegou ao endereço atual em 1881, mas o edifício que você vê hoje é de 1915, projeto do arquiteto Gustavo Lully, inspirado no Renascimento francês.
Mudando de assunto
Neste sábado (22) e domingo (23), das 9h às 15h, o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, vai ser aberto gratuitamente ao público.
Novidades: exposição de viaturas históricas, apresentações de bandas militares e até demonstrações com cães de guerra.
É mais um jeito de conhecer e valorizar a trajetória dos nossos bravos pracinhas.
Quem organiza e administra o local é o Comando Militar do Leste.
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Por fim
Cássia Eller morava no Cosme Velho, perto do Colégio São Vicente.
Nando Reis se confundiu.
Sem problemas.