Laila Garin estreia musical sobre carpideiras do sertão e reforça origem baiana: 'Tenho um público que quase não sabe que sou nordestina'

 

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Laila Garin e Juliana Linhares vivem Socorro e Zaninha, carpideiras do sertão cearense, no musical “As centenárias”, que estreia nesta sexta (10) no Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Adaptada da comédia de Newton Moreno que rodou o país em 2007 com Marieta Severo e Andréa Beltrão, a montagem acompanha as anciãs que ganham a vida conduzindo rituais de despedida. Sob direção de Luiz Carlos Vasconcelos e com participação de Leandro Castilho, a nova versão costura o texto com canções originais de Chico César.

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— As carpideiras rezam cantando, então pegamos esse universo e fizemos uma viagem pela musicalidade nordestina, com duas atrizes do Nordeste, para revisitar essa obra — conta Juliana, que é potiguar e contracena com a soteropolitana Laila. — Musicalmente, a gente passa por muitas coisas, que dão um colorido nordestino, desde o rock, uma coisa meio Zeca Baleiro, ao coco e a chegança.

Natural de Salvador, Laila também destaca a possibilidade de celebrar a identidade nordestina no palco.

— Depois de “Gonzagão, a lenda” [musical de João Falcão que estreou em 2012], fui criando um público que quase não sabe que sou nordestina — comenta a atriz, que ganhou projeção nacional após interpretar Elis Regina no teatro.

Juliana Linhares e Laila Garin lado a lado com Marieta Severo e Andréa Beltrão

Divulgação: Approach/Nana Moraes

Alternando entre passado e presente, a trama acompanha diferentes fases da vida das carpideiras, desde quando Zaninha, a mais nova, se encanta pelo ofício a partir do exemplo de Socorro, até os lutos enfrentados pela dupla. Centrada num jogo cênico entre as protagonistas, a montagem se complementa com diversas personagens secundárias — a cargo de Leandro Castilho.

— São seis personagens e 14 trocas de roupa. Fico até tonto às vezes — brinca o ator, que além de interpretar figuras como a própria Morte, também canta e toca.

Dentre os temas que perpassam o espetáculo, o elenco e o diretor destacam a força da amizade para atravessar os percalços da vida.

— O fascínio que a mais jovem tem pela mais velha é um dos aspectos que tornam a relação tão bonita. E para que ela aconteça, tem que acontecer antes entre Ju e Laila. E acontece lindamente — comenta o diretor, Luiz Carlos Vasconcelos. — Elas vão fazer essa plateia rir e se emocionar.

Durante o processo da peça, o elenco conta que atravessou alguns lutos, como o do ator e diretor Dennis Carvalho, a quem Laila foi carpir em seu enterro. No entanto, assim como fazem as protagonistas em certos momentos da trama, os artistas também confessam ter estratégias para adiar o fim.

— Faço arte um pouco para não morrer, para ficar imortal. O teatro é tão efêmero quanto a vida. Você assiste, é transformado, e depois nunca mais. Mas, naquele momento, é de uma presença absoluta e eterna. Minha sensação é que, como elas, estou driblando a morte — diz Laila.

Serviço

Onde: Teatro Municipal Carlos Gomes, Praça Tiradentes.

Quando: Qui e sex, às 19h. Sáb e dom, às 17h. Até 10 de maio. Estreia sexta (10).

Quanto: De R$ 50 (balcão) a R$ 80 (plateia).

Classificação: 12 anos.