Lagarde enfrenta questionamentos de funcionários do BCE sobre autobiografia e conversas com Fink

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Fonte da notícia: Valor Valor

Christine Lagarde foi convidada por funcionários do Banco Central Europeu (BCE) a explicar como a promoção de seu livro e as negociações sobre seu próximo cargo se sustentam do ponto de vista ético. Uma carta de seis páginas, datada de sexta-feira e assinada por Carlos Bowles — presidente do comitê de funcionários — e endereçada ao diretor de conformidade da instituição, buscava esclarecimentos sobre possíveis "dois pesos e duas medidas" na aplicação das regras a altos dirigentes e aos demais funcionários.

"Não questionamos o direito da presidente de escrever uma autobiografia ou de considerar futuras atividades profissionais", escreveu ele na correspondência à qual a Bloomberg teve acesso. "Nossa preocupação é se essas atividades foram submetidas a salvaguardas comparáveis ​​àquelas que o BCE aplicaria a um funcionário comum."

A carta ilustra como o livro de memórias de Lagarde e sua saída, cada vez mais provável, continuam a dominar a narrativa em torno do BCE, mesmo enquanto a inflação crescente força as autoridades a debater o momento de um novo aumento nas taxas de juros. Há algum tempo circulam especulações de que a presidente poderia deixar o cargo para liderar o Fórum Econômico Mundial, atualmente copresidido pelo CEO da BlackRock Inc., Larry Fink e pelo empresário Andre Hoffmann, vice-presidente da farmacêutica Roche.

Recentemente, ela reconheceu a possibilidade de sair "alguns meses" antes do término de seu mandato, em outubro do próximo ano. Em sua carta, Bowles questionou primeiramente sobre o livro "Lady First", cujo lançamento está previsto para janeiro.

As regras que regem os altos dirigentes não parecem exigir autorização prévia para tal publicação, disse ele, observando também que o Conselho do BCE nomeia os membros de seu próprio comitê de ética. Entre suas perguntas, Bowles indagou se Lagarde havia solicitado permissão e se alguém havia revisado o conteúdo do livro relacionado ao BCE.

Bowles então citou comentários feitos pela presidente em sua coletiva de imprensa de 10 de setembro, na qual ela se comprometeu a promover o livro em seu tempo livre e, em seguida, passou a "incentivar fortemente" os repórteres a comprá-lo. “A questão é se o uso de uma plataforma institucional oficial para a promoção de uma atividade comercial privada seria aceito caso a pessoa em questão fosse um funcionário comum”, disse Bowles.

Ele passou então a abordar as conversas que Lagarde pode ter tido com Fink. Há “um risco evidente de percepção de conflito, visto que a presidente em exercício do BCE pode estar discutindo uma futura nomeação com uma organização cuja governança inclui representantes de destaque do setor financeiro”, escreveu Bowles.

Por fim, ele tratou do papel do principal órgão decisório do banco central, incluindo “como o BCE garante uma supervisão suficientemente independente, na qual a decisão final sobre a atividade privada de um membro da Diretoria Executiva cabe ao Conselho do BCE”. Lagarde está atualmente em Bangkok, participando de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A notícia sobre a carta foi divulgada anteriormente pelo site Politico. Ao ser questionado sobre o conteúdo da carta, um porta-voz do BCE emitiu a seguinte declaração:

“A presidente Lagarde concordou em escrever sua autobiografia com um coautor. O projeto é uma atividade privada, realizada no tempo livre da presidente, e não utiliza recursos do BCE.

Ela informou o Comitê de Ética do BCE, bem como o responsável por conformidade e governança, sobre o projeto do livro e obteve aprovação.” Christine Lagarde, presidente do BCE

Alex Kraus/Bloomberg

Publicação Original Valor valor.globo.com
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