Lac La Belle: Naufrágio do século XIX é localizado nas profundezas de lago nos EUA após 150 anos
Após quase um século e meio de incertezas, foi localizado no Lago Michigan o naufrágio do Lac La Belle, embarcação a vapor que afundou durante uma tempestade em 1872 e deixou mortos. A descoberta, anunciada na semana passada por um caçador de naufrágios dos Estados Unidos, encerra um dos enigmas históricos da navegação na região e traz novos detalhes sobre o estado de preservação do navio.
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A vastidão do lago contribuía para o enigma enfrentado por aqueles que buscavam o local de descanso final do Lac La Belle. A embarcação jamais completou a travessia e afundou em águas de Wisconsin. Oito pessoas morreram depois que um dos botes salva-vidas virou. Com a passagem do tempo, permaneceu a dúvida: o navio algum dia seria encontrado?
A resposta veio nquando Paul Ehorn, caçador de naufrágios e mergulhador, anunciou ter localizado o Lac La Belle.
Aos 80 anos, Ehorn afirma que nunca esquecerá o momento em que recebeu um sinal em seu sonar de varredura lateral enquanto investigava um quadrante do lago com cerca de 129 quilômetros quadrados e centenas de metros de profundidade.
— Você simplesmente fica eufórico — disse Ehorn em entrevista: — Dá vontade de pular de alegria. Você encontrou mais um mistério.
Segundo ele, os destroços foram identificados inicialmente em outubro de 2022, mas a descoberta só agora se tornou pública. O intervalo, explicou, foi necessário para que os dois mergulhadores recrutados — John Scoles e John Janzen — alcançassem o local e registrassem fotos e vídeos.
— Fica muito longe da costa — disse Ehorn: — Tivemos ondas de quase 7 metros aqui há algumas semanas.
O mergulhador, que soube do naufrágio ainda na adolescência, deve apresentar a descoberta em março, durante o Ghost Ships Festival, evento realizado em Manitowoc, Wisconsin, dedicado a naufrágios, arqueologia náutica e história marítima.
Brendon Baillod, presidente do festival e da Wisconsin Underwater Archaeology Association, responsável pela organização, afirmou que localizar o Lac La Belle foi um desafio considerável.
— Fiquei realmente boquiaberto — disse Baillod: — Eu disse: como diabos você foi até lá e encontrou isso?
O naufrágio
Registros históricos indicam que o vapor transportava 53 passageiros e tripulantes quando deixou Milwaukee rumo a Grand Haven, Michigan, na noite de 13 de outubro de 1872. No porão, havia 19 mil bushels de cevada, 1.200 barris de farinha, 50 barris de carne suína e 25 barris de uísque.
Com aproximadamente 66 metros de comprimento, o navio possuía salão principal elegante, lustres ornamentados, cabines e salas de estar separadas para homens e mulheres, segundo Baillod.
Naquela noite, a embarcação enfrentou mar agitado durante uma tempestade e sofreu um vazamento cerca de duas horas após o início de uma travessia prevista para durar entre seis e oito horas.
— Foi um vazamento rápido — disse Baillod: — Eles não sabiam de onde vinha.
Por volta da meia-noite, W. Sanderson, escriturário do navio, percebeu que algo estava terrivelmente errado. O vapor começou a adernar violentamente, e a água inundou as caldeiras.
“Por volta das 5 da manhã ficou evidente que o vapor iria afundar”, disse Sanderson posteriormente ao jornal The Port Huron Daily Times. A tripulação então conduziu os passageiros aos botes salva-vidas e observou à distância enquanto o grande navio de madeira inclinava-se até desaparecer sob a superfície.
Este foi o segundo naufrágio envolvendo o Lac La Belle. Em 1866, a embarcação havia colidido com outro navio no rio St. Clair, entre Michigan e Ontário. O vapor foi içado em 1869, reformado e devolvido ao serviço.
Quase 150 anos depois do afundamento, Ehorn lançou novamente seu sonar nas águas calmas do lago, desenrolando cerca de aproximadamente 183 metros de cabo.
— Eu poderia ter deixado passar — disse o mergulhador, morador de Elgin, Illinois.
Os destroços encontram-se a centenas de pés de profundidade, exigindo mergulho técnico especializado e equipamentos específicos para acesso. Uma das duas hélices está ausente, mas parte da carga permanece preservada, incluindo uma pilha de cevada que parecia coberta de mofo, segundo Ehorn.
As coordenadas exatas do naufrágio permanecem sob sigilo.
— Não queremos pessoas indo até lá em busca de lembranças antes que o naufrágio seja devidamente documentado — disse Baillod.
