Kyra Gracie, lenda do jiu-jítsu, denuncia cultura de assédio e rompe silêncio histórico no esporte; vídeo
Kyra Gracie, um dos principais nomes da história do jiu-jítsu brasileiro, usou um vídeo publicado em seu canal no YouTube para denunciar episódios de assédio que diz ter presenciado ao longo da vida no esporte. Com o título “Assédio no jiu-jítsu: o que sempre soubemos e ninguém combateu”, o vídeo tem 8 minutos e 37 segundos, publicado nesta quarta-feira (4), marca, segundo a atleta, uma decisão pessoal de não permanecer em silêncio.
Sem laticínios e sem açúcar: a dieta de Novak Djokovic que mudou seu estilo de vida e a forma de jogar tênis
Torcedor que atirou banana em Vini Jr. pode ser banido dos estádios por um ano e multado em mais de R$ 30 mil
A pentacampeã mundial com kimono e tricampeã sem kimono afirmou que tornar pública sua experiência foi libertador. No relato, Kyra disse acreditar que sua trajetória em uma família tradicional do jiu-jítsu a protegeu parcialmente, e que, sem esse respaldo, teria sido vítima com ainda mais frequência. Ela descreveu um episódio vivido aos 18 ou 19 anos, quando um homem mais velho, que se dizia interessado em patrociná-la, fez comentários de cunho sexual. Segundo a atleta, o medo e o ambiente hostil contribuíram para que ela se calasse por anos.
Assista:
“Não são casos isolados, é uma cultura”
Ao longo do vídeo, Kyra sustenta que situações como a que viveu não são exceção no meio da luta. “Testemunhei centenas de casos, e por muito tempo tive medo de falar”, afirmou. Para ela, o silêncio imposto às mulheres no jiu-jítsu acaba funcionando como um mecanismo de proteção aos agressores. A lutadora reconheceu que pode ser criticada por só se manifestar agora, mas defendeu que romper o silêncio é necessário para interromper um ciclo que, segundo diz, se perpetua há décadas.
A denúncia pública de Kyra ocorre poucos dias após a divulgação de uma acusação contra André Galvão, um dos nomes mais conhecidos do jiu-jítsu mundial. Alexa Herse, de 18 anos, aluna da academia Atos, em San Diego, nos Estados Unidos, afirmou ter sido tocada de forma inapropriada durante treinos e relatou que o treinador fazia comentários frequentes sobre seu corpo. A jovem registrou queixa na polícia local.
Galvão negou as acusações em publicação nas redes sociais. O lutador classificou as denúncias como falsas e afirmou que recorrerá à Justiça para, segundo ele, “proteger a integridade da Atos”. As investigações seguem em andamento.
