Kuwait acusa o Irã de atacar usina de dessalinização e refinaria de petróleo; Teerã nega e culpa Israel
O Kuwait acusou nesta sexta-feira o Irã de atacar uma usina de energia e dessalinização e uma importante refinaria de petróleo, no 35º dia da guerra ainda sem fim à vista. Segundo a Kuwait Petroleum Corporation, que não especificou a origem dos drones, o ataque provocou incêndios em diversas áreas da Mina al-Ahmadi, que já foi alvo durante o conflito. Não há, até o momento, informações sobre feridos. A escalada acontece horas depois de os Estados Unidos bombardearem uma ponte no Irã e das novas ameaças do presidente americano, Donald Trump, que falou em bombardear instalações elétricas iranianas.
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O porta-voz do Exército iraniano, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que, se os EUA continuarem a ameaçar atacar usinas de energia iranianas, Teerã começará a visar a infraestrutura energética regional e empresas de telecomunicações com acionistas americanos.
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— Se tocarem na infraestrutura, destruiremos todos os seus bens na região — disse Zolfaghari em um vídeo publicado pela emissora estatal nesta sexta-feira.
Zolfaghari acrescentou que, se as ameaças de Trump forem concretizadas, as Forças Armadas do Irã atacarão instalações de combustível, energia e econômicas ligadas aos EUA e a Israel em toda a região, bem como ativos em países aliados.
— Os países que abrigam bases militares americanas na região devem forçar os americanos a deixarem seus países se quiserem evitar danos — disse ele, afirmando que o alerta foi uma resposta direta a Trump e às suas “repetidas ameaças”.
O Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do Kuwait afirmou que o ataque iraniano danificou diversas unidades da usina de energia e dessalinização. Já a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), por sua vez, negou a responsabilidade pelo ataque, atribuindo a culpa a Israel. Em comunicado, a IRGC condenou "este ato desumano" e declarou "que as bases e o pessoal militar americanos na região, bem como os centros militares e de segurança do regime sionista nos territórios palestinos ocupados, são nossos alvos prioritários".
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O Kuwait, o Irã e grande parte dos países do Golfo Pérsico dependem fortemente da dessalinização — no caso kuwaitiano, responsável por cerca de 90% da água potável. Essas usinas se tornaram alvos estratégicos na guerra: inicialmente, Teerã acusou EUA e Israel de atacá-las, mas passou a atingir instalações ligadas a seus inimigos em estados árabes da região. Para esses países, os bombardeios representam uma ameaça direta à própria subsistência. Pelo direito internacional, ataques deliberados contra infraestruturas essenciais como essas podem configurar crime de guerra.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, condenou o ataque "irresponsável" que incendiou a refinaria de Mina al-Ahmadi, durante uma conversa telefônica com o príncipe herdeiro do Kuwait, Meshal al-Ahmad al-Sabah.
Após o ataque, Downing Street anunciou que vai implantar seu sistema de defesa aérea Rapid Sentry no Kuwait para ajudar a proteger os interesses britânicos e kuwaitianos no Golfo, evitando, ao mesmo tempo, a escalada para um conflito mais amplo.
— O primeiro-ministro reiterou que o Reino Unido está ao lado do Kuwait e de todos os nossos aliados no Golfo — afirmou o porta-voz do governo britânico.
Interceptação de caça americano
Também nesta sexta, segundo a Reuters, o Irã informou que um segundo caça F-35 americano foi abatido sobre seu território, e a agência de notícias estatal afirmou ser improvável que o piloto tenha sobrevivido. A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim afirmou ter obtido imagens de um caça americano que, segundo ela, foi abatido sobre a região central do Irã pelas defesas aéreas da IRGC.
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A agência não reiterou as afirmações anteriores de que a aeronave poderia ser um F-35, mas disse que as imagens mostram marcas que a ligam ao Comando Europeu dos EUA.
“O caça pertence ao 48º Esquadrão do Comando Europeu dos EUA, sediado na Base Aérea de Lakenheath, na Inglaterra. O esquadrão foi destacado para a área de missão do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) para operações contra o Irã”, disse a agência Tasnim.
Ataque à ponte
Na quinta-feira, o presidente americano, que alterna ameaças e apelos ao diálogo para que Teerã aceite um acordo de cessar-fogo, alertou o Irã de que, se o Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de 20% do petróleo mundial, não for reaberto, as Forças Armadas dos EUA destruirão as usinas de energia do país.
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“Nossas Forças Armadas, as maiores e mais poderosas do mundo, ainda nem começaram a destruir o que restou no Irã”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Pontes em seguida, depois usinas elétricas”, acrescentou.
Horas depois, um ataque aéreo americano causou o colapso de uma importante ponte que liga Teerã e uma cidade próxima, matando pelo menos oito pessoas, segundo veículos de imprensa iranianos. Trump comemorou os danos e publicou um vídeo do ataque, com a advertência de que mais infraestrutura seria destruída se o Irã não “fizesse um acordo”.
Arash Khamooshi / The New York Times
Após o ataque, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que "atacar infraestruturas civis, incluindo pontes inacabadas, não fará os iranianos se renderem".
Ataque à Israel
A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis de "longo alcance" contra Tel Aviv e contra Eilat, no sul do país, nesta sexta-feira. As autoridades israelenses afirmam que um ataque com mísseis teve como alvo a cidade de Haifa e áreas adjacentes no norte de Israel. Haifa é uma cidade estrategicamente importante em Israel, que briga a refinaria de petróleo mais importante do país, responsável por 70% da capacidade de refino.
Monarquias do Golfo também seguem sob ataque do Irã, que acusa esses países de apoiar os Estados Unidos.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que suas defesas estavam respondendo a drones e mísseis lançados do Irã nesta sexta. Autoridades de Abu Dhabi, capital dos Emirados, informaram que destroços de uma interceptação provocaram um incêndio nas instalações de gás de Habshan e deixaram 12 feridos.
(Com New York Times)
