Kremlin ironiza ideia de possíveis vínculos entre Epstein e os serviços secretos russos
O Kremlin zombou nesta quinta-feira das especulações de que o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein pudesse ter vínculos com os serviços secretos russos, após os Estados Unidos divulgarem um grande número de documentos comprometedores.
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— Eu gostaria de ter feito muitas piadas sobre isso — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a repórteres, referindo-se às suspeitas levantadas pelo primeiro-ministro polonês, Donald Tusk. — Mas não vamos perder tempo com isso durante nossa coletiva de imprensa.
Peskov ainda classificou as suspeitas como "pouco sérias".
Tusk anunciou esta semana que a Polônia investigará possíveis vínculos entre Epstein no país, mas também com os serviços secretos russos.
Os arquivos recentemente divulgados mostram que Epstein expressou repetidamente seu desejo de se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, embora não haja provas de que eles tenham se encontrado.
Peskov declarou a um veículo de imprensa estatal russo esta semana que o Kremlin nunca recebeu qualquer pedido do financista para se encontrar com o presidente Putin.
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Figura proeminente da alta sociedade nova-iorquina durante as décadas de 1990 e 2000, Epstein foi acusado de explorar sexualmente inúmeras jovens, incluindo menores de idade. Ele se suicidou na prisão antes de seu julgamento, em 2019.
No total, quase 3,5 milhões de páginas — incluindo documentos, fotos e vídeos — do volumoso processo foram divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA desde dezembro. O Congresso americano determinou a divulgação dos arquivos em novembro, e o presidente Donald Trump sancionou a lei, apesar de inicialmente se opor a ela, buscando pôr fim às acusações e especulações em torno do caso, envolvendo inclusive o seu nome.
O caso Epstein também envolve figuras como o ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, o intelectual americano Noam Chomsky e o ex-presidente democrata dos EUA, Bill Clinton.
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O ministro da Justiça polonês, Waldemar Zurek, liderará a equipe de investigação na Polônia.
— Como vocês sabem pela mídia, o círculo de Epstein incluía poloneses — disse Zurek a repórteres.
O ministro indicou que as autoridades polonesas conhecem a identidade de duas pessoas, um homem e uma mulher de nacionalidade polonesa, sem fornecer mais detalhes. A equipe determinará se as atividades envolvendo Epstein e sua rede na Polônia justificam uma investigação mais aprofundada, especialmente se houver vítimas polonesas.
