A unidade australiana da KPMG, envolvida em um escândalo sobre o uso indevido de informações confidenciais de clientes, afirmou nesta segunda-feira que cortará cerca de 5% de sua força de trabalho, afetando 27 sócios e aproximadamente 360 funcionários, além de alertar para condições difíceis de mercado no próximo ano.
A maior parte da redução de pessoal ocorrerá em suas divisões de consultoria e serviços empresariais.
O presidente da KPMG Australia, John Sams, que assumiu o comando em julho, declarou em nota que a firma reconhece “os desafios criados por nossas próprias falhas e o trabalho que precisamos continuar fazendo para reconstruir a confiança”.
A empresa tem enfrentado forte escrutínio por parte do governo australiano e de clientes de primeira linha desde que denúncias de um delator vieram à tona em março, revelando que seus funcionários usaram informações privilegiadas para conquistar contratos lucrativos de auditoria.
O caso é o mais recente de uma série de escândalos no setor.
Em julho, o governo australiano informou que estava considerando fatiar as empresas da chamada Big Four da contabilidade, KPMG, Deloitte, EY e PwC.
A KPMG Australia também declarou nesta segunda-feira (24) que espera que o seu crescimento permaneça modesto até pelo menos 2028, pressionando os investimentos dos clientes e estendendo os prazos para tomada de decisões.
“Embora essas condições devam persistir, continuamos focados naquilo que podemos controlar”, afirmou Sams.
O escândalo desencadeou uma reformulação na liderança, com a saída de seu ex-CEO, do chefe de auditoria e do presidente do conselho, além de sócios seniores da área de auditoria.
A receita global da KPMG Australia recuou 1%, para 2,26 bilhões de dólares australianos (US$ 1,6 bilhão), no ano fiscal encerrado em junho, com a perda de contratos governamentais contribuindo para uma queda de 17% na receita de consultoria.
Apesar disso, quatro de suas cinco divisões registraram crescimento de receita.
O faturamento subiu 3% na divisão de consultoria de transações e infraestrutura, 11% tanto na área tributária e jurídica quanto na de auditoria e garantia, e 6,4% no segmento de empresas de médio porte e privadas.
A remuneração média dos sócios com participação acionária caiu 13% no ano, na sequência do escândalo e em meio à revisão da base de custos realizada pela KPMG.
A KPMG Australia concordou em não concorrer a novos contratos com o governo federal australiano até 30 de setembro, enquanto revisões sobre a governança, cultura, ética e integridade da firma estão em andamento, informou o governo em junho.
Atualmente, as empresas da Big Four são reguladas como sociedades de pessoas e não como corporações, o que significa que elas não estão sujeitas à supervisão do regulador de mercados da Austrália.
No entanto, esse cenário pode mudar como parte das reformas sinalizadas pelo governo australiano.
Um escândalo de vazamento de dados fiscais envolvendo sua concorrente PwC em 2023 motivou investigações parlamentares, embora a maioria das recomendações ainda precise ser implementada.
A KPMG Australia também anunciou que simplificará partes de sua estrutura para criar equipes mais integradas e se alinhar de forma mais estreita aos seus serviços globais de consultoria.
Bloomberg
