Klabin foca no melhoramento genético usual e descarta o transgênico

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Fonte da notícia: Valor Valor

Apesar da retomada do debate público pelo setor de celulose sobre o plantio comercial de eucalipto geneticamente modificado, o transgênico, e editado para acelerar ganhos de rendimento, a Klabin, maior produtora de papéis para embalagem e de embalagens de papelão ondulado do país, mantém o foco no melhoramento genético tradicional.

A empresa disse que, para a sua realidade, os ganhos de produtividade com esse modelo continuam mais rápidos e eficientes em suas florestas. “Não plantamos e não temos intenção de plantar [eucalipto transgênico], porque temos uma estratégia muito robusta, que dá resultados rápidos voltados para o melhoramento genético tradicional”, disse em entrevista ao Valor Darlon Orlamunder, diretor de pesquisa, desenvolvimento, sustentabilidade, estratégia e mercado da Klabin.

“Agora, o futuro é dinâmico, não estou dizendo que nunca vamos fazer também. Não é essa a nossa postura.”

Atualmente, produtores de celulose não são proibidos de plantar eucalipto modificado ou editado, mas certificadoras não concedem selos verdes àqueles que adotam a prática e o efeito disso seria a perda do acesso a mercados que exigem a chancela. A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne 48 empresas do setor, fomenta a discussão da revisão das normas que vedam esses plantios junto às instituições que definem os critérios de auditoria florestal, como o Valor mostrou na sexta-feira (30).

A posição da Klabin diverge de concorrentes como Suzano, que já estuda e tem plantios experimentais de eucalipto com edição e modificação gênica, por meio da subsidiária FuturaGene, e Arauco, que também pesquisa edição genética, com a americana Treeco. Contudo, disse Orlamunder, a empresa não é contrária ao pleito.

“Vemos a edição e a transgenia como uma ferramenta existente e nossa postura é ter o debate. Não nos opomos, mas não é a nossa estratégia”, disse ele, afirmando que qualquer mudança vai exigir consenso.

“Não adianta o setor produtivo enxergar um benefício econômico se não tiver benefício ambiental e social visível.” A Klabin, afirmou, iniciou seus pomares de pinus e eucalipto na década de 1960, com sementes dos Estados Unidos, da Austrália e da Indonésia, e formou um dos maiores acervos de base genética florestal do país.

O melhoramento conduzido pela empresa inclui o cruzamento de espécies, a hibridização, modelo também adotado por grande parte da indústria de celulose e responsável pelo salto que ela teve ao longo dos anos. A companhia já avaliou a modificação e a edição genética no passado e, recentemente, estudou o conceito com parceiros, mas disse ter concluído que o melhoramento tradicional ainda entrega ganhos superiores para sua operação.

O clima e a qualidade do solo no Sul, região onde a empresa opera, disse o executivo, favorecem cruzamentos tradicionais. “O inverno nos ajuda, porque temos uma temperatura que baixa o suficiente para reduzir a população de insetos, mas não o suficiente para matar plantas”, disse ele, que também preside o conselho deliberativo do Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (Ipef).

“De onde estamos, com o material que já desenvolvemos e a tecnologia tradicional disponível, nossa curva de aumento de produtividade é mais alta do que se a incorporássemos alguma dessas biotecnologias.” Para a empresa, a hibridização, técnica da qual eucaliptos que resultam mais produtivos ou resilientes são selecionados e clonados para produção em escala, ainda tem espaço para crescer.

A busca da Klabin é por aumento de volume de madeira por metro cúbico (métrica de produtividade) e equilíbrio entre velocidade de crescimento e densidade da madeira. Combina, por isso, espécies de crescimento rápido com outras de alta densidade de fibra.

Neste ano, a Klabin teve aprovado, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiamento de R$ 122,55 milhões para pesquisa e desenvolvimento, dos quais R$ 41,1 milhões foram para melhoramento genético de eucalipto e pinus, além de melhoria da qualidade da madeira.

“Praticamente dobramos nosso investimento em melhoramento genético, porque mantemos esse programa na nossa região para buscar maximizar produtividade, densidade da madeira e rendimento de celulose.” Diante da preocupação com o estresse climático, também instalou florestas de teste em regiões com menos chuva e temperaturas mais elevadas, onde usa espécies mais adaptadas à aridez.

“Fizemos isso para já ir testando material genético. É quase como se fosse um seguro”, disse.

Mesmo sem plantas geneticamente modificadas ou editadas, a companhia usa ferramentas de biotecnologia, como mapeamento genético e marcadores moleculares. “Fazemos a leitura de DNA em mudas novas, de 30 a 90 dias, para medir se a variável desejada está na genética.

Isso permite selecionar antecipadamente os indivíduos que vão para o campo.”

Publicação Original Valor valor.globo.com
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