A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar, pediu ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas que revise sua condenação por corrupção e suspenda a proibição vitalícia de exercer cargos públicos que atualmente a impede de disputar as eleições de 2027, disse seu advogado nesta terça-feira.
Leia também: Atividade econômica na Argentina despenca em julho Argentinos veem piora da economia sob Milei, apesar da estabilização Kirchner foi condenada em 2025 a seis anos de prisão e à proibição permanente de exercer cargos públicos após ser considerada culpada de fraude, em uma decisão que, segundo sua equipe de defesa, violou seus direitos fundamentais durante o processo judicial.
Seu advogado, Rafael Valim, disse que a equipe busca uma audiência no comitê em outubro, o que poderia levar os tribunais argentinos a revisar a decisão antes do fim do ano.
Uma pesquisa recente do instituto Zuban Córdoba mostrou a ex-presidente com índice de aprovação de 42%, acima dos 36,1% do presidente Javier Milei.
Kirchner continua sendo uma das figuras políticas mais polarizadoras da Argentina, mas aparece em pesquisas de intenção de voto em patamar semelhante ao de Milei, o que lhe daria perspectivas de disputar a eleição presidencial de outubro de 2027 caso a proibição seja suspensa.
O presidente da Argentina, Javier Milei, durante um evento de aniversário da Bolsa de Comércio de Buenos Aires (BCBA), em Buenos Aires, Argentina, em 16 de julho de 2026 Tomas Cuesta/Bloomberg Ela governou a Argentina de 2007 a 2015 e foi vice-presidente entre 2019 e 2023.
“Estamos trabalhando para que o caso seja analisado em outubro, na próxima sessão do comitê”, disse à Reuters Valim, advogado brasileiro que participou da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A iniciativa suscita comparações com o caso de Lula, que contestou sua condenação por corrupção perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU e posteriormente foi preso e impedido de disputar a eleição de 2018. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou suas condenações em 2021, restaurando seus direitos políticos e abrindo caminho para seu retorno à Presidência no ano seguinte.
Caso seja autorizada a concorrer, Kirchner ainda enfrentaria obstáculos políticos, segundo analistas, entre eles a necessidade de obter apoio dentro do movimento peronista de esquerda antes da eleição presidencial do próximo ano.
Valor