Kill Bill: cinema de rua em SP será único da América Latina com versão 'analógica' do filme
Localizado na esquina entre a Rua da Consolação e a Avenida Paulista, em São Paulo, o Cine Belas Artes contará com um ineditismo nas próximas semanas: lá está a única sala da América Latina com uma versão em película de 35 milímetros, do filme “Kill Bill: The Whole Bloody Affair”, a versão estendida dos sucessos lançados pelo diretor Quentin Tarantino em 2003 e 2004.
O relançamento reúne os volumes 1 e 2 de Kill Bill na íntegra, além de uma sequência inédita de animação. A produção entrou em cartaz na última quinta e deve permanecer em sessões diárias nas próximas semanas, com duração de 4h36 e intervalo de 15 minutos na metade da exibição. O longuíssimo formato corresponde ao desejo inicial de Tarantino, quando idealizou o longa. Para lançá-lo há 20 anos, porém, precisou editá-lo em duas etapas.
O Belas ainda conta com uma versão digital do filme, assim como será exibido em outras salas brasileiras. Ou seja, o cinema de rua de SP é o único ponto do país em que será possível ver o filme "analógico" e "digital", como classificou o CEO da Paris Filmes, responsável pela distribuição do longa, Marcio Fraccaroli.
— Quem não viu as versões anteriores ou apenas o conferiu em streaming poderá ver um filme diferente. O filme funciona muito bem até hoje, é um dos grandes trabalhos do Tarantino, estou muito feliz de trazer essa experiência para o Brasil, queria ter levado ao Rio também — diz Marcio. — Quase recebemos uma cópia de 70 mm, doada, até achamos um projetor no país, mas não houve tempo de reformar e encontrar um profissional que sabia mexer. Mesmo no mercado americano, onde o filme também estreou, foi um desafio encontrar esses profissionais com conhecimento dos 70 mm.
A versão física chegou ao país organizada em 17 rolos, divididos em seis caixas. A vontade de Marcio é que a cópia, novíssima e preparada no Canadá, se mantenha no país. Para isso, contudo, é preciso realizar um pedido internacional de liberação.
— Em algum momento teremos de devolver. Mas o que eu gostaria é que ele ficasse no Brasil, na Cinemateca. Tenho esse poder hoje? Não. Tenho que pedir. Em algum momento, porém, farei isso — diz o CEO da Paris Filmes. — Vou trabalhar duro para isso, preciso convencer o produtor a deixar essa cópia no Brasil. Por enquanto, o filme está em cartaz e seguirá sua vida normal.
O executivo disse que ficou impressionado ao ver o primeiro dia de exibições, na quinta, cheio de jovens que, pela pouca idade, não tiveram a oportunidade de ver o filme anteriormente nas telonas de cinema.
— Espero que o Tarantino inspire outros grandes diretores e produtores a copiarem seu modelo. Assim é possível que os novos estudantes de cinema possam entender como os filmes eram feitos, queimando negativos. Ele foi muito generoso ao revelar esse filme em 35 mm para novos mercados. Já imaginou ver outros clássicos, como "O Poderoso Chefão", nesse modelo ?— avalia.
