Kia entra na era dos robôs: fábricas nos EUA terão humanoides e novos veículos inteligentes
A Kia começará a utilizar robôs humanoides em suas fábricas nos Estados Unidos a partir de 2029 e está desenvolvendo uma nova caminhonete híbrida para o mercado americano, além de seu primeiro veículo definido por software. Trata-se de um esforço da montadora sul-coreana para aumentar sua competitividade em segmentos-chave e tecnologias de próxima geração.
A afiliada da Hyundai Motor planeja concluir seu primeiro veículo definido por software até o final de 2027, informou nesta quinta-feira durante a apresentação de seu plano estratégico de negócios em Seul. O carro contará com um sistema avançado de assistência ao motorista conhecido como Nível 2+, que normalmente permite operação sem as mãos em rodovias. A Kia planeja lançar uma versão mais avançada, capaz de ser utilizada em estradas comuns, no início de 2029.
A Kia também planeja lançar uma nova picape de tamanho médio nos EUA com um sistema de propulsão híbrido (gasolina e elétrica), como parte de um plano para ampliar sua linha de híbridos para oito modelos até 2030, acompanhando a crescente popularidade desses veículos entre os compradores americanos, afirmou o diretor executivo Ho Sung Song durante o dia do investidor da empresa.
Essa picape, um veículo do tipo “body-on-frame”, também será oferecida em uma versão elétrica de alcance estendido, ou EREV, disse ele.
Isso acompanha o plano da Hyundai de lançar uma picape média com arquitetura body-on-frame, que permite maior capacidade de reboque e melhor desempenho off-road em comparação com veículos de estrutura monobloco. A empresa pretende fabricar essa caminhonete nos EUA.
Song não especificou onde o modelo da Kia será produzido, mas as altas tarifas sobre picapes importadas têm levado a maioria das montadoras a fabricar caminhonetes dentro dos Estados Unidos.
Em outro movimento alinhado à marca irmã, a Kia afirmou que implantará o robô Atlas, desenvolvido pela unidade Boston Dynamics do grupo, em sua unidade na Geórgia em 2029. Inicialmente, o robô humanoide realizará tarefas simples de fabricação para melhorar a segurança e a produtividade, antes de evoluir para processos de maior valor com aprendizado de inteligência artificial. A Hyundai anunciou em janeiro planos para usar o Atlas em sua própria fábrica na Geórgia a partir de 2028.
As montadoras estão cada vez mais focadas em software — como sistemas de entretenimento a bordo, tecnologias avançadas de assistência à condução e atualizações remotas (over-the-air) para melhorar o desempenho — além de eficiência de produção, como forma de enfrentar um cenário incerto de consumo, especialmente no caso dos carros elétricos.
Veículos definidos por software são uma parte em rápido crescimento do mercado automotivo. O setor vale atualmente entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões, com potencial para ultrapassar US$ 1 trilhão na próxima década, segundo relatório da KPMG divulgado em fevereiro, com base em estimativas do setor.
Para a Kia, a transição para veículos definidos por software permitirá à empresa gerar receita contínua ao longo da vida útil do veículo por meio de assinaturas de software, aumentando significativamente a lucratividade por unidade e reduzindo os custos relacionados a reparos, afirmou a analista Esther Yim, da Samsung Securities.
A Kia investirá mais de US$ 500 milhões para fortalecer suas capacidades de inteligência artificial física e modelos de visão-linguagem-ação, além de aprofundar parcerias estratégicas com empresas de tecnologia como DeepMind, do Google, e a Nvidia.
O avanço tecnológico da montadora faz parte de uma recalibração mais ampla de suas projeções de vendas, enquanto a Kia se junta a outras grandes marcas na revisão de seus planos para veículos elétricos.
A Kia reduziu sua meta anual de vendas de veículos elétricos para 1 milhão de unidades até 2030, abaixo do objetivo anterior de 1,26 milhão estabelecido no ano passado. A empresa expandirá sua linha de híbridos para 13 modelos, com meta de vender 1,1 milhão de unidades até 2030 — um leve aumento em relação à estimativa anterior de 1,07 milhão.
A meta global total de vendas da montadora agora é de 4,13 milhões de unidades, abaixo da projeção anterior de 4,19 milhões. A empresa pretende vender 1 milhão de unidades nos EUA e 1,5 milhão em mercados emergentes, com forte foco na Índia.
