Kharg: 'joia do Irã' cobiçada por Trump, ilha estratégica abriga monastério, sítio arqueológico, belas praias e até cinema
A ilha de Kharg, no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã durante a guerra contra EUA e Israel, é muito mais do que uma base militar ou um terminal petrolífero com grande importância estratégica militar e econômica.
Chamada "joia da coroa iraniana" por Donald Trump, que vem bombardeando a área desde o início do conflito, Kharg abriga quase 9.000 moradores, praias pitorescas e importantes sítios artísticos e arqueológicos, incluindo um mosteiro cristão que pode datar do ano 600.
Ilha de Kharg em imagem por satélite
AFP
Mosteiro
Ao largo da costa oeste de Kharg, de 20 quilômetros quadrados, encontram-se as ruínas de um antigo complexo monástico cristão. Acredita-se que ele tenha sido erguido no início do século VII, mas estudiosos não descartam que a origem seja anterior a isso. Kharg teria feito parte do antigo Império Aquemênida, que existiu até o século IV AC, quando foi conquistada por Alexandre, o Grande.
O mosteiro era composto por vários edifícios, incluindo uma igreja, dois pátios e o que alguns arqueólogos argumentam ser um reservatório de água usado para batismo.
De acordo com um pastor cristão e historiador cristão que passou anos estudando o local, o contorno de dezenas de pequenas casas também pode ser identificado na área, sugerindo uma grande população que vivia dentro e ao redor do local.
Encontrado à beira de uma estrada isolada, encontra-se algo ainda mais antigo do que o mosteiro em ruínas: uma antiga gravura em pedra que data de mais de 2.400 anos. A inscrição está escrita numa antiga língua persa, já extinta. A inscrição, descoberta acidentalmente em 2007 por uma equipe de operários da construção civil, não foi traduzida com precisão, mas especialistas acreditam que signifique algo como "Esta terra era um deserto sem água e eu trouxe felicidade e bem-estar a ela". Em 2009, vândalos destruíram cerca de 70% da gravura.
Praias e natureza
Kharg tem base militar, terminal petrolífero e belas praias
Reprodução/Wikimedia Commons
A beleza natural de Kharg é celebrada há séculos, com suas inúmeras praias de areia branca, o que lhe rendeu o apelido de "A Pérola Órfã do Golfo Pérsico". Imagens compartilhadas nas redes sociais antes da guerra mostram moradores locais nadando em águas cristalinas. Usuários descrevem a exploração turísticas de "recifes de coral" ao largo da costa.
Segundo relatos, antes da guerra, visitar a ilha exigia permissão especial, mesmo para cidadãos iranianos, devido à sua importância militar e econômica. Um dos seus apelidos é "Ilha Proibida".
Kharg é uma das poucas ilhas da região que possui água doce e salgada, sendo, portanto, lar de uma população diversificada de animais, incluindo uma infinidade de espécies marinhas e aves. Entre elas, gazelas, tartarugas-de-pente, tartarugas-verdes, cabras, gaivotas-de-cabeça-branca, águias-pesqueiras, corvos-domésticos e aves migratórias. Uma variedade de plantas exóticas, como a figueira-de-bengala, mesquites, jujubas, palmeiras e lavandas, também são encontradas na ilha.
Vida marinha é rica nos arredores de Kharg
AFP
Até cinema
A cidade de Kharg, com cerca de 9.000 moradores (na maioria, trabalhadores do setor petrolífero), concentra grande parte da infraestrutura petrolífera da ilha, além de diversas comodidades do dia a dia, como campos de futebol, lojas, parques e até mesmo um cinema, que teria sido fechado após os primeiros bombardeios.
