Kalshi, gigante americana do mercado de previsões, fecha parceria com a XP

 

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A plataforma Kalshi, que negociação contratos de previsão, está se expandindo para fora dos Estados Unidos pela primeira vez, em parceria com a brasileira XP. A Kalshi começará a oferecer contratos do tipo “sim ou não” atrelados à economia brasileira, em eventos como mudanças na inflação e nas taxas de juros do país, disse a cofundadora Luana Lopes Lara.

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Esses contratos estarão disponíveis para investidores americanos da Kalshi e para alguns usuários da XP no Brasil, segundo executivos. Conhecidos pelo jargão de "mercado preditivo", este tipo de negociação ainda não tem regulação no Brasil. Mas é um negócio que tem crescido com força nos EUA e vem se multiplicando globalmente. A empresa de pesquisa Eilers & Krejcik estima que pode chegar a um volume anual de US$ 1 trilhão.

— Faz sentido para nós avançarmos por meio destes parceiros internacionais — disse Luana, que é brasileira. — Eles já têm os clientes, têm a marca.

XP quer ser pioneira no Brasil no mercado preditivo

Recentemente, Luana entrou para a lista da Forbes como a bilionária mais jovem do mundo a ter construído sua própria fortuna, ou seja, a ter alcançado o posto sem ser via herança.

No ano passado, a Kalshi disse que espera se expandir internacionalmente para mais de 140 países. O negócio no Brasil é um dos primeiros movimentos concretos nessa direção.

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O negócio da startup nos EUA cresceu exponencialmente no último ano, em grande parte devido à expansão de apostas esportivas na plataforma. Mas ela também oferece uma maneira de apostar em tudo, desde eleições até eventos geopolíticos.

A brasileira Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, em Nova York

Alexey Yurenev/Bloomberg

A XP, a maior corretora do Brasil, tinha 4,8 milhões de clientes ativos em dezembro. A empresa opera um “supermercado de investimentos”. A XP foi pioneira no modelo no Brasil, mas, nos anos pós-pandemia, a negociação de ações contribuiu menos para o seu crescimento, à medida que os juros disparavam. A XP tem buscado diversificar suas ofertas, inclusive por meio de uma expansão para o private banking.

— Quando vimos os mercados de previsão, vimos mercados que poderiam ser não apenas inovadores, mas também disruptivos — disse Lucas Rabechini, chefe de produtos financeiros da XP. — Vemos muitas notas estruturadas e opções de juros sendo negociadas nos mercados tradicionais. Nos mercados de previsão, vemos algo comparável em termos de ativos e retorno — acrescentou.

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As previsões estarão disponíveis inicialmente para clientes da Clear Corretora, uma das marcas da XP, que tenham uma conta internacional, e os produtos serão listados por meio da corretora da empresa nos EUA. Ser pioneira nos mercados de previsão é “central” para a XP, afirmou Rabechini.

Brasil ainda não tem regulamentação específica

O Brasil ainda não tem regulamentação específica para mercados de previsão, mas plataformas como as da Kalshi e da Polymarket já hospedam contratos relacionados ao país. A B3, bolsa de valores brasileira, também planeja entrar nesse mercado, de acordo com o jornal Valor Econômico.

O Ministério da Fazenda do Brasil está acompanhando de perto essa evolução do mercado e iniciou conversas preliminares sobre o assunto, afirmou em comunicado.

— Vemos o Brasil da forma como os EUA eram anos atrás em relação aos mercados de previsão. É o nosso segundo país, então poderemos avançar muito mais rápido do que fizemos nos EUA quando começamos — acrescentou Luana.