É justo falar em 'jogo de trocação'? Entenda dilema recente do Flamengo entre ataque letal e defesa exposta
As primeiras preocupações colocadas em cima do trabalho de Leonardo Jardim no Flamengo vêm surgindo não por conta dos resultados, já que a equipe está invicta há nove jogos e mais de um mês, mas sim por conta de um desequilíbrio entre os setores. Mais vertical e letal ofensivamente, o rubro-negro está sofrendo com certa exposição defensiva, o que torcedores já chamam de “jogo de trocação” do treinador português. Mas esta caracterização é justa?
O Flamengo visita o Independiente Medellín, às 21h30 de hoje, em jogo da 4ª rodada da fase de grupos da Libertadores, para tentar encaminhar a vaga nas oitavas de final. Nas últimas três partidas, na goleada sobre o Atlético-MG (Brasileirão) e nos empates contra Estudiantes (Libertadores) e Vasco (Brasileirão), o time sofreu mais finalizações do que tentou (52 contra 29 no total, segundo o site “Sofascore”).
Finalizações nos últimos jogos do Flamengo
Em questão de bola na rede, porém, não há reclamações. Nos últimos nove jogos desde a derrota para o Bragantino (Brasileirão), o rubro-negro abriu o placar em todos. Jardim consegue potencializar diversas peças ofensivas — casos de Pedro, Bruno Henrique, Samuel Lino, Gonzalo Plata e Lucas Paquetá — e faz o time tomar as rédeas dos confrontos, muitas vezes com gols saindo cedo.
Por outro lado, tem se observado uma crescente dificuldade em ter o controle na retaguarda. Até nos triunfos contra Medellín (Libertadores) e Vitória (Copa do Brasil), houve diversos momentos em que a meta de Rossi foi ameaçada. O momento mais incômodo até o momento foram os dois gols permitidos ao Vasco no clássico do último domingo, depois que o rubro-negro abriu 2 a 0 no placar.
Vasco e Flamengo pelo Brasileirão
Matheus Lima/Vasco
Jardim melhorou o trabalho herdado de Filipe Luís há dois meses, mas existem pontos de atenção a serem ajustados:
— Particularmente, não tenho visto essa questão de trocação, mas permissividade é um termo que faz jus ao que tenho percebido — chama a atenção o analista Raphael Rabello, do canal "Falando de Tática". — O problema não está em ser muito agressivo no ataque. Isso aconteceu até com o time do Filipe, que era mais pautado em construções pausadas. Na minha visão, o time do Jardim tem sofrido muitas finalizações porque tem baixado demais o bloco de marcação, e está deixando os adversários confortáveis. Não tem problema marcar em bloco baixo, contanto que você seja mais agressivo e incomode mais quem tem a bola — destaca.
Time desacostumado
Para Rabello, a característica dos jogadores da linha defensiva e dos volantes não é compatível com uma forma de atuar recuada em demasia. Zagueiros como Léo Ortiz e Léo Pereira são mais acostumados a terem a bola no pé e ficam desconfortáveis na situação oposta. Só que o jogo habitual de marcação alta parou de encaixar com o português.
— É preciso corrigir esse bloco alto que esteve bom em alguns jogos, contra Cusco, Fluminense, Botafogo... Mas, nos últimos dois, o Flamengo não conseguiu. Esse time é pautado em subir bloco, precisa roubar a bola perto do gol do adversário. Acho que os jogadores perderam um pouco a confiança, não sei se o próprio Jardim também perdeu. Esse é o ponto de melhora — avalia o analista.
Enquanto busca correções, o Flamengo aposta em seu poder de fogo para sair com três pontos do último jogo fora de casa nesta fase de grupos da Libertadores. Hoje, o rubro-negro não conta com Arrascaeta (fratura na clavícula direita), Paquetá (lesão na coxa esquerda), Erick Pulgar (lesão no ombro direito), Wallace Yan (opção técnica) e nem com o próprio Jardim, expulso contra o Estudiantes — o auxiliar José Barros é quem comanda.
A boa notícia é a presença de Carrascal, que deve ser titular após ter cumprido suspensão no Brasileiro.
Adversário da noite, o Independiente Medellín passa por uma crise. O treinador Alejandro Restrepo foi demitido no fim de abril, e Sebastián Botero, de 39 anos, deixou o sub-20 para assumir o cargo interinamente. Após a eliminação no Campeonato Colombiano no domingo, diante do Rionegro Águilas, o acionista majoritário Raúl Giraldo brigou com torcedores e renunciou ao comando do clube.
