'Justificativa para os ataques não está fora dos EUA, mas dentro dele', diz especialista

 

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O conflito instalado no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, na madrugada de sábado (28), começou na mesma data para qual estava marcada a quarta reunião para discutir o encerramento do programa nuclear iraniano, considerado o principal motivo da ofensiva militar.

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Nas últimas semanas, os negociadores americanos reconheceram que os iranianos já haviam feito propostas para chegar a um acordo sobre o programa. Para Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, a ofensiva encerra as negociações.

“O Direito internacional tem algumas regras. Uma delas é que quando você está me negociação, o mínimo que você faz é avisar o seu interlocutor que a negociação acabou. Não foi o que aconteceu”.

Segundo o presidente americano, Donald Trump, a justificativa do ataque é justamente destruir o programa nuclear do país persa. Para Trevisan, as colocações não fazem sentido, o que torna as motivações para o ataque ainda desconhecidas.

“Quem ataca tem um plano. E esse plano é absolutamente desconhecido. Porque se os EUA querem a imposição de um acordo nuclear, a interrupção do processamento do enriquecimento de urânio do Irã, era isto exatamente que estava sendo negociado. O que nos obriga a fazer uma observação de que a justificava deste ataque não está na política externa dos EUA, mas dentro do país, que é exatamente para dar explicações internas, esconder problemas do país e recuperar um protagonismo que tinha sido perdido”.

O professor ainda complementa que a ação americana é ilegal: “Os EUA têm direito de defesa, podem responder a um ataque, mas isso não aconteceu. Nenhum objetivo ou alvo americano tinha sido atacado. Para fazer um ataque, não um contra-ataque, Trump precisava de autorização do Congresso.”

Apesar disso, o Trevisan lembra que esse ataque é conduzido por Israel, com apoio dos Estados Unidos, e não o contrário. “É uma operação israelense-americana. Nessa ordem. É muito mais Israel que os Estados Unidos. No Oriente Médio, só Israel tem a capacidade operacional de atacar pontos específicos”.

O ministro da defesa israelense, Israel Katz, disse que a ação tinha como objetivo "eliminar ameaças". As explosões foram ouvidas no centro de Teerã, capital iraniana, próximo aos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei. Conforme a agência de notícias Reuters, ele foi transferido para um local seguro. Um aeroporto da cidade também foi atingido.

A agência também noticiou que o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e Mohammad Pakpour, um comandante da Guarda Revolucionária, foram mortos.

Horas depois dos bombardeios, o Irã revidou. Bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico foram os principais alvos. Em Israel, sirenes de alerta para ataques aéreos foram acionadas em todo o país.