Justiça tenta interromper projeto da Casa Nem que oferece comida e acolhimento a pessoas vulneráveis na Lapa
Um projeto LGBTQIAPN+ ligado à Casa Nem recebeu uma ordem de despejo que ameaça a continuidade de suas atividades na Lapa, região central do Rio de Janeiro. A Justiça deferiu uma liminar que coíbe o funcionamento do Kuzinha Nem, espaço voltado à segurança alimentar e ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social, que atua no território desde 2017.
Segundo a fundadora da Casa Nem e idealizadora do projeto, Indianarae Siqueira, a equipe foi surpreendida com a decisão judicial. “Fomos surpreendidos com o mandado de imissão na posse. Contudo, como o imóvel também serve de moradia, não foi possível ser feita imissão. Ato contínuo o NUTH assumiu a defesa do kuzinhaNem e está atuando para manutenção da posse, contudo existe um despejo com trânsito em julgado em face. Vamos resistir”, desabafa.
O Kuzinha Nem tem papel central na garantia de direitos básicos para a população LGBTQIAPN+ e para pessoas em situação de rua atendidas pela Casa Nem. “É um espaço que garante a segurança alimentar das pessoas acolhidas na Casa Nem, promovendo mais de 300 refeições mensais preparadas no projeto. Ainda mantemos a distribuição de mais de 800 quentinhas por mês para pessoas em situação de rua, além da doação de cestas básicas, legumes e frutas para famílias em vulnerabilidade e acolhimento de pessoas em situação de rua, expulsas de casa e que sofrem violações de direitos”, explica Indianarae.
A ordem de despejo acende um alerta sobre a fragilidade das políticas de acolhimento e assistência voltadas à população LGBTQIAPN+ no Rio de Janeiro, especialmente em um cenário de aumento da vulnerabilidade social. Enquanto a defesa jurídica atua para garantir a permanência do espaço, o caso mobiliza redes de apoio e reforça a importância de iniciativas comunitárias como o Kuzinha Nem, que há anos suprem lacunas deixadas pelo poder público.
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