Justiça proíbe deportação de testemunha do caso de homem morto pelo ICE, depois de denúncia de advogado

Justiça proíbe deportação de testemunha do caso de homem morto pelo ICE, depois de denúncia de advogado

Fonte: Bandeira



Um juiz federal dos Estados Unidos determinou que o Departamento de Segurança Interna (DHS) não deporte uma das testemunhas do caso envolvendo a morte de Lorenzo Salgado Araujo, baleado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Houston, no início de julho.

A decisão foi tomada após o advogado de Jose Trinidad Rojas Pliego apresentar uma petição pedindo sua libertação da detenção migratória, argumentando que ele é uma testemunha importante do episódio.

As informações são do site local The Texas Tribune.

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A ordem, assinada na segunda-feira (20) pelo juiz distrital Keith P.

Ellison, também impede que Rojas Pliego seja transferido para outra unidade do ICE fora do Distrito Sul do Texas enquanto o pedido estiver em análise, salvo autorização expressa da Justiça.

O Departamento de Segurança Interna, responsável por supervisionar o ICE, não comentou a decisão até o momento desta publicação.


Segundo o site, a petição apresentada pela defesa argumenta que Rojas Pliego é cidadão mexicano e vive nos Estados Unidos desde 1998, sem antecedentes criminais.

O documento afirma ainda que ele mantém união estável com uma cidadã americana, com quem tem três filhos e quatro enteados, todos cidadãos dos EUA.

O homem permanece sob custódia do ICE desde o tiroteio ocorrido em 7 de julho.

Atualmente, ele está detido no Centro de Processamento do ICE em Montgomery, localizado em Conroe, ao norte de Houston.

Na ação, a defesa sustenta que ele "não representa risco de fuga nem perigo para a comunidade".

Além de Rojas Pliego, os outros dois passageiros que estavam na van dirigida por Lorenzo Salgado Araujo também recorreram à Justiça para tentar deixar a detenção migratória.

Daniel Tirado Pantoja, que chegou aos Estados Unidos vindo do México em 1996, afirma não possuir histórico criminal e vive em união estável com uma residente permanente legal.

Ele é pai de um cidadão americano e padrasto de outra cidadã americana.

Já Victor Hugo Salgado Araujo, irmão da vítima e ocupante do banco da frente da van no momento do tiroteio, também apresentou um pedido semelhante.

Sua advogada, Ruby Powers, solicitou que a petição fosse mantida sob sigilo, alegando que a ampla repercussão do caso pode expor seu cliente e seus familiares a possíveis atos de retaliação ou intimidação.


Relembre o caso

Lorenzo Salgado Araujo foi morto por agentes do ICE no estado do Texas, no dia 7 de julho.

Segundo a versão oficial, que não foi comprovada de maneira independente, o homem estava em situação irregular nos Estados Unidos, e tentou fugir dos agentes antes de ser baleado.

No entanto, a investigação confirmou que ele era turista nos EUA.


Em comunicado, o ICE afirmou que "agentes tentavam deter um homem durante uma operação de imigração quando ele supostamente tentou escapar da prisão, colidiu com um veículo do órgão e usou seu carro para tentar atropelar um agente".

O texto identifica o homem como Lorenzo Salgado Araujo, cidadão mexicano que estaria em situação migratória irregular, e acrescenta que um agente efetuou os disparos "em legítima defesa".


"O homem foi levado a um hospital, onde posteriormente morreu em decorrência dos ferimentos", relata o comunicado.

Falando à emissora Telemundo Houston, Ronaldo Salgado, que se identificou como filho de Lorenzo Salgado Araujo, confirmou que o homem baleado era seu pai, e que ele estava procurando trabalhadores na área antes de ser morto pelos agentes do ICE.


O incidente em uma área onde há forte presença de imigrantes em Houston se soma às dezenas de casos de violência envolvendo a polícia migratória americana desde o ano passado, quando o retorno de Donald Trump à Presidência lhe deu novos e ampliados poderes.

Não raro, os relatos oficiais do ICE contrastam com o que realmente ocorreu.

Em janeiro, Renee Good e Alex Pretti foram mortos em protestos contra operações migratórias, e após terem sido acusados de atacar os agentes — e chamados de "terroristas domésticos por Trump —, as imagens confirmaram que eles não apresentavam qualquer tipo de ameaça às forças de segurança.

Em março, Ruben Ray Martinez foi morto em uma abordagem de trânsito da qual o ICE participou.

Os três eram cidadãos americanos, e os responsáveis pelos disparos não foram punidos.