Justiça pode barrar mudanças no Jaé e manter dinheiro nos ônibus do Rio após ação da SEDCON e PROCON-RJ

Justiça pode barrar mudanças no Jaé e manter dinheiro nos ônibus do Rio após ação da SEDCON e PROCON-RJ

 

Fonte: Bandeira



A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e o PROCON-RJ ajuizaram uma ação com pedido de tutela de urgência contra a CBD Bilhete Digital S.A. e o Município do Rio para impedir prejuízos aos passageiros diante das mudanças anunciadas no sistema de pagamento dos ônibus municipais da capital.

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A medida foi tomada após a divulgação de que, a partir de 30 de maio de 2026, os ônibus deixarão de aceitar dinheiro em espécie como forma de pagamento. Além disso, as integrações tarifárias do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM) passariam a funcionar exclusivamente por meio do chamado “cartão preto” do sistema Jaé ou QR Code via aplicativo.

Segundo a SEDCON e o PROCON-RJ, as mudanças foram anunciadas de forma abrupta, sem ampla campanha de conscientização e sem estrutura adequada para atender toda a população usuária do transporte público.

Os órgãos afirmam que a medida pode impactar diretamente milhares de consumidores, principalmente idosos, pessoas sem acesso à internet, cidadãos desbancarizados, trabalhadores informais, turistas, adolescentes e consumidores em situação de vulnerabilidade social, que dependem do pagamento em espécie ou possuem dificuldade de acesso aos meios digitais.

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— O papel da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e do PROCON-RJ é garantir que nenhuma mudança em um serviço essencial retire direitos da população. Não podemos admitir que consumidores sejam impedidos de acessar o transporte público por falta de acesso à tecnologia ou por ausência de planejamento adequado. O transporte coletivo precisa ser acessível, inclusivo e universal — afirma Rogério Pimenta, secretário de Estado de Defesa do Consumidor.

A SEDCON e o PROCON-RJ também informaram que identificaram aumento significativo na procura pelos postos de atendimento do Jaé, com registros de filas e dificuldades enfrentadas pelos consumidores para obtenção dos cartões.

Na ação, os órgãos pedem que a Justiça determine a manutenção do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais, a suspensão da exclusividade do cartão Jaé e do QR Code para integrações tarifárias, além da elaboração de um plano de contingência com ampla campanha de informação à população.

O pedido inclui ainda prazo mínimo de 30 dias de adaptação após comunicação efetiva aos consumidores e reforço na estrutura de atendimento aos usuários do sistema.

A ação também solicita aplicação de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das medidas.

A Prefeitura do Rio foi procurada para comentar a ação e os questionamentos levantados pelos órgãos de defesa do consumidor, mas ainda não respondeu até a publicação desta reportagem.