Justiça marca julgamento de acusados de matar vascaíno; vítima deixou mulher e quatro filhos
A Justiça do Rio marcou para a próxima segunda-feira, dia 9, às 16h, o início do julgamento dos nove acusados de envolvimento na morte do torcedor do Vasco Rodrigo José da Silva Sant’Anna, de 36 anos. O barbeiro morreu com um tiro na cabeça quando seguia para assistir a uma partida do clube, em setembro de 2025, na zona norte da capital.
Rodrigo foi baleado nas proximidades da estação de trem de Oswaldo Cruz, no dia 11 de setembro, data em que estava prevista uma partida entre Vasco e Botafogo. De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, ele foi vítima de uma emboscada promovida por criminosos ligados à Torcida Jovem do Flamengo, time sem qualquer relação com o jogo daquela noite.
Casado desde 2020 com Thalyta Sant’Anna, Rodrigo deixou quatro filhos, entre eles uma bebê que tinha apenas quatro meses à época do crime e um menino autista de 9 anos, não verbal. Ele também tinha duas filhas de um relacionamento anterior, de 12 e 10 anos.
Thalyta conversou com a CBN e contou que a família ainda tenta se reconstruir após a perda de Rodrigo. Ela destacou que a Justiça negou que os réus respondessem ao caso em liberdade, o que já foi uma demonstração importante da punição necessária.
“Já dá uma pontinha de esperança de que estamos caminhando para que o mínimo seja feito, para que a Justiça aconteça. Porque justo, realmente, nunca vai ser. A gente nunca vai ter o Rodrigo de volta. Nossos filhos estão crescendo. A minha bebezinha já está com oito meses, já está aprendendo a andar, já tem se desenvolvido, e ele não está aqui para acompanhar esse processo. E vai ser assim para o resto da nossa vida. Mas isso já vai trazer um alívio para mim, para a mãe, para o irmão, para os filhos, para todos os amigos que todos os dias sentem a falta dele", afirma.
Segundo a Polícia Civil, o ataque foi previamente planejado e teve motivação considerada fútil, relacionada à rivalidade entre torcidas. Os investigados teriam evitado o uso de símbolos do clube para o qual torcem justamente para dificultar a identificação. Testemunhas relataram ter ouvido ao menos quatro disparos de arma de fogo, sendo um deles o que atingiu o barbeiro.
A denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça em outubro do ano passado, aponta nove réus. De acordo com a acusação, o disparo que matou Rodrigo foi feito por Thiago Faria da Silva Trovão. Já Everton Oliveira da Silva é acusado de ter atirado contra uma segunda vítima, Johnny Gomes Borges, que sobreviveu, configurando tentativa de homicídio.
Outros cinco réus, Gabriel Victor da Silva Carqueija, Rafael Francisco dos Santos, Gabriel Alexandre Sequeira Alves de Araújo, João Pedro dos Santos Campos e Eduardo dos Santos Pereira, são apontados como participantes diretos da ação, atuando em conjunto com os autores dos disparos. Para o Ministério Público, eles integraram o planejamento e a execução do ataque, dando suporte no momento do crime.
A denúncia também atribui a Lucas Machado de Jesus a responsabilidade por levar ao local a arma de fogo usada no assassinato e os fogos de artifício utilizados na emboscada, além de prestar apoio logístico ao grupo. Já Tiago de Souza Câmara Mello, identificado como presidente da Torcida Jovem do Flamengo, é acusado de ter promovido e organizado a ação criminosa.
Para Thalyta Sant’Anna, o julgamento é uma esperança de que casos como o de Rodrigo não se repitam.
“Para que não fiquem impunes, para que não existam outros Rodrigos, para que se possa exercer o direito de ir e vir, o direito à liberdade, o direito de estar em um estádio de futebol, o direito de ir ver o seu time jogar, o direito de apenas existir em sociedade. Hoje, simplesmente, esses bandidos que falam em nome da torcida, que saem à rua unicamente com a intenção de matar, parecem ter mais voz, mais poder. Eu espero que, com esse julgamento, isso seja mostrado, que não é assim, que não é uma terra sem lei", diz.
A CBN não conseguiu contato com as defesas dos réus para um posicionamento.
