Justiça dos EUA pede informações à empresa cripto que movimentou US$ 531 milhões do Master - QTU Questões do Universo

Justiça dos EUA pede informações à empresa cripto que movimentou US$ 531 milhões do Master

Fonte: Bandeira da fonte

A Justiça dos Estados Unidos solicitou uma série de informações à One World Services (OWS), empresa que atuava com criptoativos e movimentou US$ 531 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) em operações com o então Banco Máxima, hoje Banco Master, entre 2018 e 2021, segundo investigação da Polícia Federal.
A Justiça americana atende um pedido feito pela EFB, liquidante extrajudicial do Master, no processo de Chapter 15 que tramita no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida.
A OWS foi intimada a entregar os documentos até 23 de setembro.
A EFB pede acesso a contratos, acordos, aditivos, termos e outros documentos envolvendo a OWS, os bancos do grupo Master e uma lista de 17 pessoas e empresas sujeitas, segundo o documento, a uma ou mais ordens de bloqueio de ativos do Banco Central relacionadas à liquidação extrajudicial.
Entre elas, estão Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e a holding Titan Capital.
A intimação também busca registros sobre serviços prestados, movimentações financeiras e transferências de recursos, além de documentos de identificação de clientes e prevenção à lavagem de dinheiro relacionados aos bens investigados.
O pedido inclui ainda comunicações, como mensagens por WhatsApp, Telegram, iMessage e Signal.
A liquidante pede ainda informações sobre bens que a OWS tenha administrado, mantido ou ajudado a adquirir e que possam estar associados ao Master ou às demais pessoas e empresas listadas, inclusive por meio de terceiros ou empresas-veículo.
O período abrangido pela solicitação começa em janeiro de 2018.
A OWS já era investigada no Brasil no âmbito da Operação Colossus, deflagrada pela Polícia Federal em 2022.
O inquérito foi aberto para apurar suspeitas de crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, funcionamento irregular de instituição financeira e associação criminosa envolvendo José Eduardo Fróes Júnior, Adriano Fróes e outros investigados.
Segundo a PF, a OWS era suspeita de comprar bitcoins para pessoas condenadas por lavar dinheiro de organizações criminosas.
A investigação também apurou operações de câmbio relacionadas à atividade da empresa.

No caso do Master, foram identificadas 331 operações de câmbio entre dezembro de 2018 e abril de 2021, que somaram US$ 531 milhões.
As operações foram realizadas quando a instituição ainda se chamava Banco Máxima e foram registradas sob a justificativa de aumento de capital de uma offshore da OWS nos Estados Unidos.
A PF apontou suspeitas sobre a documentação e a finalidade declarada para parte dessas remessas.

Em 2023, Adriano Fróes foi convocado pela CPI das Pirâmides Financeiras da Câmara dos Deputados, na condição de gestor da OWS, para prestar esclarecimentos sobre o envolvimento da empresa com criptoativos, mas não compareceu.
A CPI posteriormente aprovou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e de dados junto a corretoras de criptoativos.
A OWS deixou de operar após a deflagração da Operação Colossus.

Procurado pelo Valor, o advogado da família Fróes afirmou que o Banco Master nunca foi cliente da OWS.
Segundo ele, era a empresa que contratava a instituição financeira para realizar fechamentos de câmbio e remessas de valores ao exterior.

“O Banco Master nunca foi cliente da OWS.
Foi a OWS que contratou o Banco Master para fechamentos de câmbio”, afirmou.
Segundo o advogado, o Master foi uma entre várias instituições financeiras utilizadas pela empresa, de acordo com as taxas e as necessidades de remessas ao exterior.

Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não se manifestou.