Justiça dos EUA nega suspender operações anti-imigração em Minnesota
A Justiça dos Estados Unidos rejeitou uma ação que pedia a suspensão imediata das operações contra imigrantes no Minnesota. As operações comandadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega já mataram duas pessoas no estado.
A juíza Katherine Menéndez, do Tribunal Distrital de Minnesota, negou o pedido de liminar alegando que os autores da ação não apresentaram argumentos com possibilidade real de êxito ao fim do processo. Ela reconheceu que os agentes usaram força excessiva e que as operações podem ter um efeito devastador no estado, mas ponderou que a suspensão total poderia impactar a Lei Federal de Imigração.
O caso foi à Justiça por iniciativa do procurador geral de Minnesota e dos prefeitos de Mineápolis e Saint Paul, que são as duas maiores cidades do estado e onde se concentram os trabalhos do ICE.
O prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, divulgou um comunicado lamentando a decisão e prometeu que vai insistir na ação judicial que tenta responsabilizar o governo do presidente Donald Trump pelas vítimas da operação.
Trump tem defendido o envio de 3 mil homens para a região como uma medida necessária para fiscalizar os movimentos de imigração no país. A secretária de Justiça do governo americano, Pamela Bondi, comemorou o que chamou de “enorme vitória judicial” dos republicanos.
Enquanto essa decisão era tomada em Minnesota, a corte distrital do Texas determinou também neste sábado a libertação de um menino equatoriano de cinco anos e do pai dele, que estavam detidos desde o último dia 20. A criança foi recolhida pelos agentes do ICE após chegar da escola em Minneapolis e foi transferida junto do pai para um centro de detenção a quase 2 mil quilômetros de distância, no Texas.
Na decisão, o juiz Fred Biery acusou o governo Trump de traumatizar crianças para bater metas diárias de deportações.
Protestos
O movimento contrário às operações anti-imigração em Minnesota deve continuar nas ruas de vários estados americanos neste domingo (1º). Os líderes da organização estimam terminar o fim de semana com aproximadamente 300 manifestações.
O governo americano tem reagido aos protestos com prisões. Neste sábado (31), o jornalista Don Lemon, preso por ter participado de uma manifestação e solto na última sexta-feira (30), fez uma transmissão em vídeo para falar sobre o tema.
Os protestos foram além do território norte-americano e chegaram à Milão, na Itália. Parte da população local se voltou contra o envio de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega para auxiliar na segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam na próxima sexta-feira (6).
