Justiça de Trinidad e Tobago bloqueia extradição de ex-vice-presidente da Fifa para os EUA
A Justiça de Trinidad e Tobago bloqueou definitivamente o pedido de extradição para os Estados Unidos de Jack Warner, ex-vice-presidente da Fifa acusado de corrupção pelas autoridades americanas.
A decisão, divulgada nesta sexta-feira, encerra uma longa batalha judicial iniciada em 2015, quando Warner foi envolvido no Fifagate, escândalo de corrupção que atingiu a cúpula da entidade máxima do futebol mundial.
A Justiça dos Estados Unidos acusa o ex-dirigente trinitário de 29 crimes relacionados a fraude, lavagem de dinheiro e corrupção.
Na decisão, a juíza Karen Reid, da Suprema Corte de Trinidad e Tobago, afirmou que o Estado cometeu uma grave violação de seu “dever de transparência” ao levar os tribunais a acreditar que existia um “acordo especial” de extradição com os Estados Unidos.
Segundo a magistrada, mesmo depois de o erro ter sido identificado, a informação não foi corrigida no processo, o que permitiu que a ação de extradição continuasse de forma irregular.
A sentença concluiu que a manutenção do processo representou uma violação do direito de Warner à liberdade e determinou que o Estado arque com os custos judiciais do ex-dirigente.
O valor de uma eventual indenização será discutido em audiência marcada para 30 de setembro.
Warner, que também integrou o Comitê Executivo da Fifa, votou a favor da escolha de Rússia e Catar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente.
As autoridades americanas o acusam de receber milhões de dólares em propina durante o período em que atuou como dirigente da Fifa.
Entre os pagamentos investigados está uma transferência de US$ 10 milhões atribuída à África do Sul, que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2010.
Trinidad e Tobago, pequeno país caribenho localizado ao norte da Venezuela, disputou uma Copa do Mundo pela primeira e única vez em 2006, quando Warner presidia a federação de futebol do país.
O ex-dirigente também exerceu os cargos de ministro e parlamentar em Trinidad e Tobago.
