Os temores fiscais e as expectativas de inflação elevada aumentaram a pressão no mercado global de renda fixa e levaram os rendimentos dos títulos públicos de países desenvolvidos a máximas de décadas, enquanto os mercados de ações recuam em Nova York.
Os preços do petróleo permanecem em alta, após novas ameaças de ataques dos Estados Unidos ao Irã.
Por volta das 13h30, o índice Dow Jones caía 0,50%, aos 52.919,45 pontos; o S&P 500 cedia 0,51%, aos 7.647,08 pontos; e o Nasdaq Composto tinha queda de 0,80%, aos 26.159,575.
Já o índice DXY – que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas de países desenvolvidos – subia 0,21% a 99,64 pontos.
O rendimento da T-note de dois anos subia a 4,379%, de 4,354% no fechamento anterior, o nível mais alto desde janeiro de 2025, enquanto o da T-note de dez anos subia de 4,756% a 4,788%.
O rendimento da T-bond de 30 anos passava de 5,244% a 5,251%.
Já as taxas de títulos de longo prazo da Alemanha e da França atingiram os níveis mais altos em 15 anos, e a taxa dos títulos do governo japonês de 10 anos chegou a 3% pela primeira vez em 30 anos.
“Uma onda de vendas de títulos globais elevou os rendimentos a novos patamares, à medida que a retomada dos combates no Oriente Médio impulsionava os preços do petróleo e pesava sobre o sentimento dos investidores”, diz o UBB, em nota.
O petróleo Brent para entrega em novembro subia 2,81% a US$ 93,09 por barril, e o WTI para outubro ganhava 3,59% a US$ 88,94.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar novos ataques contra o Irã depois que a República Islâmica disparou mísseis contra duas bases aéreas americanas na Jordânia.
Durante o fim de semana, Washington informou ter atingido lançadores iranianos que estavam posicionando minas no Estreito de Ormuz.
“Sem uma perspectiva clara para a reabertura do Estreito após seis meses de guerra, as preocupações com a inflação permanecem elevadas”, diz o UBS.
“A incerteza quanto às perspectivas de política monetária do Federal Reserve (Fed), as preocupações fiscais e o aumento da emissão de dívida relacionada à inteligência artificial (IA) mantiveram os títulos sob pressão.
É provável que a volatilidade dos rendimentos persista no curto prazo, e destacamos os fatores estruturais que podem manter elevados os rendimentos de títulos de longo prazo.”
O Rabobank destaca que, entre os bancos centrais, se observa uma postura mais agressiva (“hawkish”).
Em Jackson Hole, o presidente do Fed, Kevin Warsh, sugeriu que poderia haver mais medidas a serem tomadas.
Já o Banco do Japão (BoJ) também enfrenta pressão, com a taxa de câmbio novamente acima de 160 ienes por dólar.
“Como o Japão pode sustentar sua dívida pública com taxas mais altas? Como qualquer país poderia? Há pouco tempo para reflexão, à medida que a geopolítica e a geoeconomia se acirram simultaneamente”, questiona o estrategista global Michael Every, em nota.
