Juros futuros ignoram ‘payroll’ forte e aprofundam recuo da véspera

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os juros futuros operam em baixa nesta sexta-feira (6) e, com isso, aprofundam o alívio observado ontem na renda fixa doméstica. Embora participantes do mercado não apontem para uma razão específica que justifique o movimento, há a leitura de que as recentes sinalizações na direção de algum ajuste fiscal do governo reeleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ajudam a retirar prêmios da curva a termo - o que é ampliado pela percepção de que o Banco Central não deu motivos para os investidores precificarem aumentos da Selic tão cedo.

Por volta de 13h15, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2028 oscilava de 14,325%, do ajuste da véspera, a 14,32%; a do DI de janeiro de 2029 tinha queda de 14,73% para 14,68%; a do DI de janeiro de 2031 baixava de 14,98% a 14,915%; e a do DI de janeiro de 2037 recuava de 15,005% para 14,965%.

O bom desempenho dos juros locais contrasta com a piora do mercado de Treasuries nos Estados Unidos, cujas taxas acentuaram alta após a divulgação dos números de outubro do “payroll”, o relatório oficial do mercado de trabalho americano. No horário mencionado acima, a taxa da T-note de dois anos subia de 4,469% a 4,520%, e a da T-note de dez anos avançava de 4,839% para 4,850%.

O payroll deu sinais de resiliência do mercado de trabalho dos EUA ao relatar um saldo líquido de 165 mil contratações no mês passado, bem acima das 59 mil projetadas pelo mercado. A queda da taxa de desemprego, de 4,2% a 4,1%, também surpreendeu ante a expectativa de estabilidade, ao passo que os salários também cresceram acima do esperado.

Houve, ainda, uma revisão do número de vagas criadas em setembro, de 29 mil para 60 mil. Com um mercado de trabalho ainda forte, agentes ampliaram a expectativa por aumentos de juros do Federal Reserve (Fed) nos próximos meses, o que pressionou os Treasuries.

Esse movimento, contudo, não foi seguido pela renda fixa local e, depois de uma reação negativa apenas momentânea ao payroll, as taxas domésticas voltaram a se firmar em queda. “Acho que os juros futuros estão ancorados pelo comunicado do Copom, que indicou que parece ser difícil o BC subir [a Selic] com as condições atuais de câmbio, commodities e expectativas de inflação.

Se isso for verdade, tem um prêmio de carregamento no juros, mas obviamente isso é frágil se o governo não entregar um pacote de ajuste fiscal relevante”, avalia um gestor de renda fixa de uma importante casa da Faria Lima. Para ele, essa operação é arriscada justamente porque o quadro fiscal do país é preocupante e não há sinal tão claro, por enquanto, de um ajuste das contas públicas pelo lado das despesas.

”Eu imaginava que o mercado fosse piorar mais e, só depois disso, o governo entregaria medidas de ajuste. Mas parece que o mercado se contenta com o mais do mesmo da política econômica do governo.”

Ontem, após uma reunião com membros da equipe econômica, economistas e ex-ministros da Fazenda, o presidente Lula fez um pronunciamento em que reforçou o compromisso do governo com a sustentabilidade fiscal e disse que o Brasil tem de ter uma “economia arrumada” para atrair investimentos.

Por ora, porém, ainda não foi discutida qualquer medida específica de ajuste, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. E, embora o mercado tenha abandonado o estresse que tomou conta na semana após o segundo turno da eleição presidencial, já há casas que falam em cenário de estagflação no ano que vem - isto é, crescimento próximo de zero com inflação acima da meta - somado a uma Selic persistentemente elevada.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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