Juros elevados desaceleram crescimento de médias empresas

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) registrou alta de 1% em agosto de 2026. No acumulado do ano, a expansão soma 2,9%, nível que se mantém abaixo do ritmo observado no mercado de pequenas e médias empresas entre 2022 e 2024. O resultado reflete as dificuldades persistentes do setor para alavancar o faturamento real desde o segundo trimestre deste ano, em meio a um ambiente de juros elevados e alto endividamento das famílias. Na última quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic, taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75%.

Felipe Beraldi, economista da Omie, observa que a desaceleração da atividade econômica entre as PMEs é profunda e afeta diversos setores essenciais. "Esse resultado de agosto chama bastante atenção porque a gente tem visto uma desaceleração grande da atividade econômica dentro do mercado de PMEs. Também chama atenção os resultados ruins que a gente tem observado em serviços. Diversas atividades industriais estão sob retração. O próprio crescimento geral do mercado bem mais baixo do que a gente observava desde o ano passado", avalia. O desempenho do mercado de PMEs em agosto, no entanto, mostrou trajetórias distintas entre os quatro grandes setores da economia. O comércio, principal eixo de sustentação do mês, teve alta de 1,3% quando comparado com o mesmo período do ano passado. O resultado positivo foi puxado pelas vendas tanto do atacado quanto do varejo, embora o segmento de veículos tenha apresentado recuo no período.

Já o segmento de serviços apresentou estabilidade com ligeiro avanço de 0,2% no ano a ano, após queda registrada no mês anterior. O setor encontrou suporte em atividades como saúde humana, serviços profissionais/técnicos, transporte e educação. No entanto, o segmento de alojamento e alimentação — de expressiva relevância para micro e pequenas empresas — voltou a encolher.

Na indústria de transformação, o crescimento foi de 0,8% em agosto na comparação anual. A expansão no faturamento de cadeias como fabricação de papel, alimentos e produtos químicos garantiu o resultado positivo do setor. Contudo, 12 dos 23 segmentos industriais acompanhados pelo índice registraram retração. Para o economista, o ponto central de preocupação vai além da oscilação mensal do faturamento captada pelo índice e recai sobre a deterioração do humor dos empreendedores apurada nas pesquisas de campo. Beraldi ressalta que a maioria dos gestores de pequenas e médias empresas temem reflexos negativos da economia em seus negócios. Entre os principais entraves, está a taxa de juros elevada. "A última sondagem Omie das pequenas e médias empresas aponta que mais de 50% dos empreendedores estão esperando que a economia afete negativamente os negócios dos próximos meses. E além disso, praticamente 60% colocam a taxa de juros como principal entrave ao crescimento de curto prazo. São dados que chamam bastante atenção e revelam não só o que a gente tem medido no mercado, mas um pouco desse pessimismo que tem aumentado bastante entre os empresários", aponta Beraldi. De acordo com a pesquisa, 54% dos empresários consultados preveem que o ambiente econômico afetará negativamente seus negócios no curto prazo. Outros 59% apontam as taxas de juros altas como a principal barreira ao crescimento. O IODE-PMEs, medição desenvolvida pela Omie, acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento de até R$ 50 milhões anuais. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 200 mil clientes, cobrindo 756 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes), considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV) e usam o índice vigente no último mês de análise para verificar a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

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