Juros de longo prazo têm forte alta com receio por ausência de ajuste fiscal

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os juros futuros sobem nesta quinta-feira (29), em um movimento bastante acentuado nos vencimentos de longo prazo, o que provoca uma nova inclinação da estrutura a termo da curva. O pessimismo do mercado com a política econômica no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se acentuou com sinalizações de que o governo não tem nos planos um corte das despesas públicas, o que dificultaria qualquer ajuste fiscal na visão dos investidores.

Por volta de 13h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2028 tinha leve avanço de 14,41%, do ajuste da véspera, para 14,43%; a do DI de janeiro de 2029 subia de 14,825% a 14,89%; e a do DI de janeiro de 2031 anotava forte alta de 15,07% para 15,23%.

O temor com a ausência de um ajuste fiscal se intensificou depois de comentários do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PT-SP), em postagem no seu perfil no X. “Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição.

O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA.

A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu!”, escreveu Boulos. Embora não surpreendam, as falas do ministro ajudaram a ampliar as preocupações do mercado sobre a política fiscal, diz um operador de renda fixa da tesouraria de um importante banco brasileiro.

Para ele, o mercado ainda está com posições muito carregadas na parte longa da curva a termo que já vinham desde antes da eleição, de forma que a inclinação de hoje é causada também por este ajuste contínuo nos portfólios. Liam Peach, economista sênior para mercados emergentes da Capital Economics, avalia que a liquidação sofrida pelos ativos brasileiros nesta semana poderia gerar alguma resposta do novo governo em relação à política fiscal, mas há um risco de que o “sell-off” do mercado de juros acabe gerando uma dinâmica negativa que se “autoalimenta”.

“Se Lula falhar em restaurar a confiança, isso poderia resultar em um aumento prolongado dos juros, o que prejudicaria a dinâmica da dívida pública e tornaria mais difícil a sua estabilização em relação ao PIB. Isso reforçaria as preocupações fiscais por trás do ‘sell-off’ e sustentaria prêmios de risco ainda maiores”, alerta Peach em relatório publicado hoje.

Ainda que os investidores sigam bastante focados nas sinalizações do novo governo, os dados do PIB dos Estados Unidos no terceiro trimestre - mais fortes que o esperado - e da leitura de setembro do deflator do PCE - em linha com as projeções - causaram alguma volatilidade nas taxas americanas, o que chegou a refletir na renda fixa doméstica durante a primeira hora de negócios no Brasil.

No horário mencionado anteriormente, o rendimento da T-note americana de dez anos recuava de 5,021% a 5,005%, ao passo que a taxa do papel de dois anos tinha queda firme de 4,706% para 4,673%.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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