Juros curtos recuam e longos sobem em meio a ajustes em pregão volátil

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os juros futuros de longo prazo sobem em ritmo intenso na tarde desta quarta-feira (28), ao passo que as taxas de curto prazo recuam, movimento que provoca uma inclinação relevante da estrutura a termo da curva. Investidores locais seguem ajustando suas posições em meio a um mal-estar com o noticiário envolvendo as primeiras sinalizações sobre a política econômica no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vale ressaltar que o pregão de hoje é de intensa volatilidade. Nas mínimas intradiárias, os juros longos chegaram a cair em torno de 5 pontos-base (0,05 ponto percentual), ao passo que nas máximas a alta ultrapassou os 30 pontos-base (0,3 ponto percentual).

Por volta de 13h10, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2028 tinha queda de 14,385%, do ajuste da véspera, para 14,315%; a do DI de janeiro de 2029 oscilava de 14,76% a 14,78%; e a do DI de janeiro anotava alta forte de 14,91% para 15,025%

Depois de dois pregões bastante atípicos — um de reprecificação histórica após a reeleição de Lula, na segunda-feira, e outro de um alívio robusto com apoio de recompras do Tesouro Nacional, na terça-feira — os investidores voltam a ajustar suas posições em um ambiente de negócios mais funcional, mas ainda muito volátil.

Durante a manhã, participantes do mercado citaram que há um mal-estar com as primeiras sinalizações da política econômica do novo governo que têm surgido no noticiário. Entre esses fatores, foi citado a alíquota de referência da CBS de 11,3% proposta pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e os rumores de que o governo estuda tributar ativos financeiros atualmente isentos.

Os nomes especulados para comandar o Ministério da Fazenda e os cargos em aberto na diretoria do Banco Central tampouco animaram os investidores. Para um gestor de renda fixa, “parece muito cedo” para o mercado precificar um banco central menos conservador no curto prazo, mas é possível que haja algum estresse nesse sentido.

“Acho mais importante entender que a parte mais vulnerável no momento é a expectativa de inflação de prazos mais longos”, diz ele. A frase reflete a preocupação do mercado com a sustentabilidade da política fiscal e o temor por novos estímulos que possam dar novo impulso à inflação em um contexto de franca desaceleração da atividade econômica.

O desempenho volátil dos juros brasileiros ocorre ainda com o mercado de olho na decisão de juros do Federal Reserve (Fed), às 15h desta quarta-feira. Embora seja amplamente esperada uma manutenção da taxa básica dos Estados Unidos no intervalo de 3,75% a 4%, a decisão deve ser acompanhada de uma coletiva mais dura do presidente do BC americano, Kevin Warsh.

No horário mencionado anteriormente, a taxa da T-note de dez anos subia de 5,003% para 5,041%. “Como ele (Warsh) não está subindo [os juros], mas vai querer manter a reunião de dezembro viva e com alta probabilidade, acredito que tentará ser ‘hawkish’, comprometido com a meta em horizonte próximo e [com a mensagem de] que a pausa é apenas para observar mais informações.

E deve reforçar que o Fomc continuará o ciclo de aperto até que a inflação convirja na velocidade satisfatória”, escreve o economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, em postagem nas suas redes sociais.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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