Júri nos EUA decide que Live Nation, dona da Ticketmaster, atua como um monopólio

 

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Um júri federal em Nova York decidiu na quarta-feira (15) que a Live Nation, a gigante de shows que é dona da Ticketmaster, operou como um monopólio em violação às leis antitruste federais e estaduais dos EUA, encerrando um julgamento amplamente acompanhado que pode ter consequências de grande alcance na indústria da música.

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O veredito veio após quatro dias de deliberações, nos quais o júri de nove pessoas analisou uma longa lista de questões que lhe foram apresentadas em um caso complexo que envolveu semanas de depoimentos de especialistas.

O juiz responsável pelo caso, Arun Subramanian, determinará as medidas corretivas em um processo separado. Isso pode incluir desinvestimentos significativos por parte da Live Nation, ou até mesmo a separação da Live Nation e da Ticketmaster — um desfecho que o governo dos EUA havia defendido ao apresentar o processo quase dois anos atrás, mas que certamente será contestado pela empresa.

A Live Nation também enfrentará indenizações financeiras como resultado do veredito do júri no caso, que foi movido por 34 estados. O júri determinou que a Ticketmaster cobrou dos consumidores US$ 1,72 a mais por ingresso. O juiz agora definirá o valor total das indenizações com base nessa constatação.

Durante as sete semanas de julgamento, a Live Nation argumentou consistentemente que não é um monopólio e que compete de forma agressiva — porém legal — em um mercado com outros vendedores de ingressos, promotores de shows, operadores de casas de espetáculos e equipes esportivas.

'Concorrentes ferozes'

Rebatendo uma das principais alegações do governo americano, a Live Nation também negou que ameace casas de espetáculo para que fechem contratos com a Ticketmaster sob risco de perder acesso às turnês populares organizadas pela empresa.

“Somos concorrentes ferozes”, disse David R. Marriott, advogado da Live Nation, ao júri nos argumentos finais na semana passada. “Estamos tentando conquistar negócios.”

Independentemente das medidas que o juiz determinar, é provável que a decisão altere o cenário competitivo do mercado bilionário de shows, no qual a Live Nation tem sido um colosso sem igual. No ano passado, a empresa realizou 55 mil eventos e vendeu 646 milhões de ingressos em todo o mundo. Segundo depoimentos, a Ticketmaster vende cerca de 10 vezes mais ingressos do que sua concorrente mais próxima, a AEG.

Apenas uma semana após o início do julgamento, o Departamento de Justiça deixou o caso após chegar a um acordo com a Live Nation. No entanto, 34 dos 40 estados que haviam aderido ao processo federal rejeitaram os termos e continuaram o julgamento por conta própria.