O técnico Júnior Rocha fez uma avaliação positiva do trabalho realizado pelo Paysandu ao longo da temporada, mas reconheceu que o desempenho defensivo ainda é um dos principais pontos de preocupação dentro do clube.
Em entrevista exclusiva ao Núcleo de Esportes de O Liberal, o treinador afirmou que as falhas no setor incomodam jogadores, comissão técnica, diretoria e, principalmente, o torcedor.
A declaração ocorre em um momento de cobrança sobre o sistema defensivo bicolor.
O Paysandu chega à reta final da primeira fase da competição entre as equipes que brigam pela classificação, mas apresenta um dos piores desempenhos defensivos da Série C.
Para Júnior Rocha, apesar da força ofensiva demonstrada ao longo do ano, ainda é necessário encontrar um equilíbrio.
“Nosso time é muito ofensivo, são 70 gols marcados no ano, mas ainda temos pecado lá atrás.
Como falei para os atletas, não vou sossegar enquanto não encontrar uma solução para isso”, afirmou o treinador.
A avaliação de Júnior Rocha sobre a temporada, no entanto, é positiva.
O treinador destacou não apenas os três títulos conquistados pelo clube, mas também mudanças implementadas desde o início do trabalho, como a valorização das categorias de base e a adoção de novos processos internos.
"Nosso time é muito ofensivo, são 70 gols marcados no ano, mas temos pecado lá atrás" (Jorge Luís Totti/Paysandu)
“Não apenas pela conquista dos três títulos, como também por tudo aquilo que estamos construindo desde dezembro, com a valorização da base, implementação de novo processos e um trabalho que, no geral, é estável.
Mesmo com o menor recurso do clube nos últimos anos, talvez, concorrentes com alto poder de investimento em todas as competições que disputamos e um número baixo de contratações, nós temos conseguido representar bem a instituição Paysandu”, disse.
Na Série C, Júnior Rocha também ressaltou o equilíbrio da competição.
O treinador comparou a disputa deste ano com a campanha do Caxias na temporada passada, quando o clube gaúcho garantiu a classificação com antecedência, e avaliou que o cenário atual deve levar boa parte das definições para a última rodada.
“Volto a dizer, essa é a Série C mais equilibrada dos últimos anos.
Ano passado, classificamos o Caxias com sete rodadas de antecedência.
Esse ano, devemos ter mais da metade dos classificados confirmados somente na última rodada, então tem sido uma competição muito atípica e equilibrada”, afirmou.
O treinador destacou ainda que o Paysandu passou a maior parte da competição dentro do G8 e espera confirmar a classificação ao fim da primeira fase.
A equipe chega à rodada decisiva dependendo do próprio desempenho e dos resultados dos concorrentes para assegurar a vaga na próxima etapa.
“Trabalho e empenho para isso não vão nos faltar”, declarou.
Pressão faz parte do Paysandu
“A pressão aqui sempre vai ser grande", diz Júnior Rocha (Jorge Luís Totti/Paysandu)
Diante das cobranças sobre o desempenho da equipe e do ambiente no vestiário, Júnior Rocha afirmou que encara a pressão como algo natural em um clube do tamanho do Paysandu.
O treinador também ressaltou a estrutura oferecida pela instituição e citou o trabalho da comissão técnica para administrar o grupo.
“A pressão aqui sempre vai ser grande, porque estamos em um clube grande.
É proporcional ao seu tamanho.
Procuramos encarar com naturalidade e serenidade”, afirmou.
Júnior Rocha também destacou a atuação dos profissionais que trabalham diariamente com o elenco, incluindo a psicóloga do clube.
Segundo o treinador, o trabalho de gestão do grupo e do vestiário é dividido entre os integrantes da comissão técnica.
“Estamos em um clube que nos oferece toda a estrutura necessária para trabalhar, tanto em termos de condições materiais, como também de profissionais capacitados.
A nossa comissão técnica tem desempenhado um bom trabalho nesse sentido, com atuação diária da nossa psicóloga e um trabalho de gestão de grupo e de vestiário também que é feito por todos nós”, comentou.
Mercado segue no radar
Júnior Rocha, técnico do Paysandu (Jorge Luís Totti/Paysandu)
A possibilidade de novos reforços também foi abordada pelo treinador.
Júnior Rocha preferiu deixar a questão sob responsabilidade da diretoria, mas confirmou que o clube permanece atento ao mercado.
A declaração ocorre após o presidente Márcio Tuma afirmar que o Paysandu ainda possui margem financeira para realizar contratações.
“Esse é um assunto que eu prefiro deixar a cargo da nossa diretoria, mas posso garantir que continuaremos atentos ao mercado, sim.
Nunca é demais ter jogadores com qualidade e compromisso que possam vir nos ajudar na busca pelo nosso principal objetivo”, afirmou.
Segundo Júnior Rocha, o Paysandu não pretende contratar apenas por necessidade ou pressão externa.
A chegada de novos jogadores dependerá da existência de oportunidades consideradas vantajosas pelo clube.
“Se houver uma boa oportunidade de negócio, pode ter certeza que o clube irá contratar, sim, mas sempre com muita responsabilidade, como tem sido desde o começo do nosso trabalho”, concluiu.
