'Juízo Final': livro de Gabriela Biló documenta planos golpistas até ataques de 8 de janeiro

 

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Mais de três anos após os ataques que tentaram abalar as bases da democracia brasileira, o país ainda busca organizar e entender os fragmentos daquela tarde de domingo em Brasília. Os ataques do dia 8 de janeiro de 2023 ainda seguem repercutindo e deixaram marcas profundas na política brasileira.

No Estúdio CBN desta sexta-feira (10), Tatiana Vasconcellos e Fernando Andrade receberam a fotojornalista Gabriela Biló para abordar o seu novo lançamento, o livro 'Juízo final: Tentativa e fracasso do golpe no Brasil', publicado pela Editora Fósforo, em parceria com Pedro Inoue e podcast Medo e Delírio em Brasília.

A obra conta com imagens fotografadas à partir da ótica de Gabriela, e é costurada entre textos, fotos, bilhetes e documentos. 'Juízo Final' teve sua gênese a partir da ideia de investigar a tentativa e a trama golpista:

"A gente decidiu fazer esse livro como um documento. Então, ele tem a minuta golpista, print das conversas, e esse texto fluído que amarra tudo".

Segundo a autora, a obra tenta explicar que a tentativa de golpe não foi apenas em 8 de janeiro. Como ela detalha: "foi um plano elaborado que começou anos antes, nos primeiros anos do governo Bolsonaro".

Dessa forma, ao organizar o material como um documento histórico, Biló apresenta um conjunto de evidências que provam que os ataques não foram um evento isolado, mas o desfecho de um plano articulado ao longo de anos, resultando nas condenações e prisões do ex-presidente e de militares envolvidos.

Memórias da invasão

Ao relembrar os momentos da invasão, a fotojornalista descreve um profundo sentimento de luto e desorientação durante a cobertura: "Eu demorei para me localizar no prédio [...] porque todas as minhas referências estavam destruídas".

"Quando eu fui entrar, por exemplo, no plenário do STF, ele estava tão desfigurado que eu demorei para me localizar no prédio. É um prédio, assim como o Palácio [do Planalto] e o Congresso, com tantos protocolos para você entrar, tantas seguranças, tantas fases... Entrar daquele jeito, numa terra arrasada daquela forma, deu meio que um ‘bug'’’, afirmou.

Apesar da gravidade dos fatos, Biló ainda traz uma perspectiva surpreendente sobre a data:

"Eu gosto muito do 8 de janeiro, as pessoas acham estranho eu falar isso, mas é porque é um dia muito precioso para a democracia. [...] A partir dali é que se abrem as investigações; até então, poderia ser apenas uma narrativa ou 'uma viagem', mas a partir do dia 8 temos o processo aberto e investigado".