Juíza decide que condenado à morte que acredita ser imortal não pode ser executado

 

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Uma juíza da Carolina do Sul vetou a execução de John Richard Wood, de 59 anos, condenado à morte por injeção letal pelo assassinato de um policial estadual há mais de 25 anos.

Grace Knie afirmou que John, um detento que acredita ser imortal, tem uma doença mental que não possibilita que ele tenha compreensão racional e factual de seus crimes, do motivo pelo qual está sendo punido ou da natureza da sua punição. A decisão foi tomada após laudos de três especialistas — um psiquiatra da promotoria, um psiquiatra independente e um psicólogo da equipe jurídica do detento.

O trio concordou que John não se encaixa no padrão legal de competência para ser executado, de acordo com reportagem no "South Carolina Daily Gazette".

A defesa de John havia pedido a suspensão da aplicação da pena alegando que os efeitos debilitantes de sua esquizofrenia o impedem de enfrentar a punição capital.

O presidiário acredita já ter "morrido e voltado" três vezes no corredor da morte e que ressuscitará caso seja executado pelo Estado.

John também acredita que já recebeu um indulto do governador da Carolina do Sul, Henry McMaster. Ele é o primeiro detento no corredor da morte na Carolina do Sul considerado incapaz de ser executado desde que o estado retomou as execuções em setembro de 2024, após uma pausa de 13 anos devido às dificuldades do estado em obter os medicamentos para injeção letal.

O americano foi condenado pelo assassinato de Eric Nicholson, policial rodoviário estadual da Carolina do Sul, em dezembro de 2000, durante uma abordagem de trânsito no condado de Greenville. John atirou cinco vezes contra o agente e, durante perseguição, feriu outros dois policiais. Ele foi condenado em fevereiro de 2002.

Pena de morte nos EUA

O número de execuções nos EUA desde o início do ano chegou a dez, todas por injeção letal. Seis delas ocorreram na Flórida, três no Texas e uma em Oklahoma.

Em 2025, houve um total de 47 execuções, o maior número desde 2009, quando 52 foram registradas. A grande maioria das execuções nos EUA é feita por injeção letal, com 39 realizadas por esse método em 2025. A pena de morte foi abolida em 23 dos 50 estados. Três estados — Califórnia, Oregon e Pensilvânia — têm uma moratória sobre ela.

No fim de abril, os EUA deram sinal verde para ampliar os métodos utilizados para a aplicação federal da pena de morte no país. Agora, serão permitidas execuções de presos federais por pelotão de fuzilamento — método utilizado em 23 países (Afeganistão, Bahrain, Belarus, Catar, China, Coreia do Norte, Emirados Árabes Unidos, EUA, Etiópia, Iêmen, Índia, Indonésia, Iraque, Kuwait, Líbia, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Omã, Síria, Somália, Taiwan e Vietnã), de acordo com a organização Juntos Contra a Pena de Morte. Atualmente, cinco estados permitem execuções por fuzilamento: Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah.