O juiz federal americano Alvin K. Hellerstein, responsável pelo caso do líder chavista Nicolás Maduro no Tribunal Federal de Nova York, morreu nesta quarta-feira aos 92 anos.
Veterano do sistema de justiça americano e magistrado de casos emblemáticos, como ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de Setembro, Hellerstein era um dos juízes mais idosos em atuação. Não está claro como sua morte afetará o julgamento de Maduro — que responde por acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas — previsto para começar em junho.
Quem é James Comey: Ex-diretor do FBI vira alvo de três tentativas de processo pelo Governo Trump em 13 meses Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países Em março, o magistrado conduziu a primeira audiência de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Embora tenha acatado o pedido para que os advogados tenham acesso a recursos financeiros de Caracas, a fim de custear a defesa, o magistrado se recusou a arquivar as acusações. Nascido em Nova York, em 1933, Hellerstein inicioua carreira como advogado do Exército dos Estados Unidos antes de atuar no setor privado.
Em maio de 1998, foi nomeado juiz federal pelo presidente Bill Clinton, passando a integrar o Distrito Sul de Nova York, onde construiu uma trajetória marcada por decisões em casos complexos e politicamente sensíveis. Em 2011, Hellerstein assumiu o status de magistrado sênior, o que lhe permitiu reduzir a carga de trabalho sem se afastar da atividade judicial.
Desde então, continuou à frente de ações envolvendo terrorismo, segurança nacional, disputas financeiras de grande porte e processos civis de ampla repercussão pública. De acordo com o The New York Times, entre os casos mais conhecidos julgados por ele estão ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de Setembro, contra as Torres Gêmeas, o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.
Maduro chega de helicóptero para a primeira audiência em tribunal de Nova York O juiz também conduzia, no mesmo tribunal federal, o processo contra Hugo Armando "Pollo" Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana, acusado de tráfico de drogas e narcoterrorismo — caso que tem ligação direta com as investigações que envolvem o regime chavista.
Segundo documentos do processo, o depoimento de Carvajal terá peso central no julgamento de Maduro. O ex-general, que também foi congressista, decidiu cooperar com as autoridades americanas e se declarou culpado, no verão passado, de quatro acusações relacionadas ao narcotráfico e ao apoio a organizações terroristas, em um tribunal federal de Nova York.
Nos últimos anos, ele assinou decisões que tanto contrariaram quanto respaldaram políticas do governo Donald Trump, incluindo sentenças que bloquearam deportações por razões constitucionais e outras que rejeitaram pedidos de redução de pena com base em critérios religiosos ou de nacionalidade.
(Com NYT)
O Globo