Juiz rejeitau caso de assédio sexual de Blake Lively contra Justin Baldoni, mas mantém julgamento por retaliação

 

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Um juiz de Nova York rejeitou as alegações de assédio sexual de Blake Lively contra o ator e diretor Justin Baldoni, restringindo o processo da atriz enquanto a batalha judicial de grande repercussão em Hollywood se encaminha para o julgamento.

Em uma decisão de 152 páginas, o juiz Lewis J. Liman, do Tribunal Distrital dos EUA em Manhattan, permitiu que a alegação de retaliação de Lively contra a empresa de Baldoni fosse levada a júri. Sua decisão concentra o caso principalmente nas alegações de Lively de que Baldoni e seus colegas conduziram uma campanha de retaliação nas redes sociais e na imprensa depois que ela fez denúncias de assédio sexual no set do filme "É assim que acaba", de 2024.

O juiz determinou que, embora alguns esforços de comunicação de crise da equipe de Baldoni fossem aceitáveis, outros podem não ter sido. "Há limites para a resposta que o acusado pode dar a alegações de assédio", escreveu Liman. “Chega um ponto em que o acusado deixa de se defender e começa a tomar atitudes que um júri razoável poderia considerar como retaliação pelo fato de o acusador ter tido a ousadia de fazer as acusações.”

Baldoni, que dirigiu o filme e contracenou com Lively, nega as acusações de assédio sexual feitas por ela. Seus advogados afirmaram que Lively usou queixas menores para afastar Baldoni de seu próprio filme e que ele contratou uma empresa de gerenciamento de crises para proteger sua própria reputação, não para difamá-la.

Liman determinou que as principais alegações de assédio sexual de Lively não atendiam aos requisitos legais essenciais. Mas o juiz determinou que algumas das acusações eram suficientes para fundamentar a alegação de retaliação.

Ele cita o relato dela de Baldoni falando, na presença da equipe, que ela nunca havia assistido a pornografia e também um episódio em que ele teria dito, no set, que ela estava "muito gostosa". Depois que outra atriz do filme, Jenny Slate, sugeriu que o comentário era inapropriado, Baldoni revirou os olhos e disse: "Desculpe, eu perdi o treinamento sobre assédio sexual", de acordo com os documentos judiciais de Lively.

Em uma declaração após a decisão do juiz, Sigrid McCawley, advogada de Lively, disse que a atriz estava ansiosa para depor no julgamento. “Este caso sempre foi e continuará sendo focado na retaliação devastadora e nas medidas extraordinárias que os réus tomaram para destruir a reputação de Blake Lively porque ela defendeu a segurança no set de filmagem”, disse McCawley em comunicado, “e é esse caso que irá a julgamento”.

Jonathan Bach e Alexandra Shapiro, advogados de Baldoni, afirmaram em comunicado que sua equipe ficou satisfeita com a rejeição das acusações de assédio sexual, assim como das ações judiciais contra aqueles que foram processados ​​individualmente, como o próprio Baldoni.

As acusações restantes — que incluem retaliação e quebra de contrato — são contra a Wayfarer Studios, produtora de Baldoni, e a LLC criada para desenvolver o filme. Uma terceira acusação, por suposta cumplicidade em retaliação, permanece contra a The Agency Group PR, empresa de relações públicas especializada em gestão de crises contratada pela Wayfarer.

“O que resta é um caso significativamente mais restrito, e estamos ansiosos para apresentar nossa defesa às acusações restantes no tribunal”, diz o comunicado dos advogados de Baldoni.

A decisão significa que, embora o juiz não permita que as acusações de assédio sejam consideradas no julgamento, ele considera que os eventos que se desenrolaram após as queixas de Lively merecem ser analisados ​​por um júri.

A partir de 2023, o que começou como uma colaboração amigável entre Lively e Baldoni, cuja empresa também estava produzindo o filme, tornou-se cada vez mais acirrada.

Durante as filmagens, Lively reclamou não apenas do comportamento de Baldoni, mas também do de Jamey Heath, CEO da Wayfarer. Ela acusa Heath, em seu processo, de ter olhado fixamente para seus seios nus no espelho de seu camarim de maquiagem, um encontro que os advogados dele descreveram, no máximo, como um "pequeno incidente".

As tensões aumentaram ainda mais antes da estreia do filme, quando Lively se recusou a aparecer ao lado de Baldoni para promover o longa, uma adaptação do livro de Colleen Hoover sobre um relacionamento devastado pela violência doméstica.

Preocupado com a possível cobertura da mídia sobre a crescente discórdia entre os dois, Baldoni e sua empresa contrataram uma equipe de comunicação especializada em crises. Após a estreia, Lively foi alvo de uma enxurrada de comentários negativos online. Uma questão crucial do julgamento será se essa reação foi espontânea — produto de críticas já existentes a Lively — ou influenciada pela equipe de comunicação de Baldoni.

Os advogados de Lively afirmam que, por meio de interações estratégicas com a mídia e manipulação nas redes sociais, a equipe de gerenciamento de crises de Baldoni trabalhou para "denegrir a imagem de Lively e desacreditar quaisquer alegações que pudessem surgir sobre o comportamento de Baldoni no set de filmagem, impulsionando conteúdo depreciativo sobre Lively juntamente com conteúdo elogioso sobre Baldoni".

Os advogados de Baldoni afirmaram que a equipe de comunicação seguiu as práticas padrão no mundo das relações públicas. "Lively não conseguiu identificar nenhum caso em que qualquer réu tenha fornecido informações falsas sobre ela a qualquer membro da imprensa ou a qualquer influenciador de mídia social", escreveram eles em documentos judiciais.

Em sua decisão, Liman escreveu que havia "algumas evidências diretas de que o plano para destruir Lively e sua carreira foi colocado em prática". Ele apontou para mensagens de agosto de 2024 nas quais um assessor de imprensa de Baldoni confirmou que a equipe estava "amplificando" um vídeo que criticava Lively por sua insensibilidade às vítimas de violência doméstica durante a turnê de imprensa do filme.

O caso expôs o funcionamento interno de Hollywood, incluindo disputas internas sobre a edição do filme e acusações mútuas de difamação entre as partes para figuras importantes da indústria. O conjunto de evidências inclui comunicações entre Lively e Taylor Swift, bem como mensagens que Lively e seu marido, Ryan Reynolds, enviaram a Matt Damon e sua esposa. Executivos de estúdios de cinema, atores, agentes e assessores de imprensa foram todos chamados para depor.

O julgamento referente às demais alegações de Lively está marcado para maio.