Um juiz federal dos EUA impediu novamente, nesta terça-feira, que o Centro Memorial John F. Kennedy para as Artes Cênicas, em Washington, inscrevesse o nome do presidente Donald Trump em sua fachada, infligindo ao presidente republicano mais um revés em seus esforços para reformular a icônica instituição cultural. Leia também: Em derrota para Trump, Suprema Corte dos EUA mantém bloqueio a restrições ao voto pelo correio Juiz suspende restrições de Trump à validade de vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros Estados processam governo Trump por regra que restringe visto permanente a beneficiários de programas sociais O juiz federal Christopher Cooper, em Washington, emitiu uma ordem suspendendo temporariamente a mais recente proposta do centro de colocar o nome de Trump no memorial dedicado a Kennedy, o presidente dos EUA assassinado em 1963.
Além disso, Cooper afirmou que o conselho do centro não pode seguir adiante com os planos de renomear o campus onde está localizado como “President Donald J. Trump Plaza”.
“Em termos simples, os réus não podem instalar memoriais para o presidente Trump ou qualquer outra pessoa ou coisa no Kennedy Center sem a aprovação do Congresso”, escreveu Cooper em decisão emitida pouco antes de o conselho do centro votar o plano de Trump de fechar o famoso espaço de artes cênicas por dois anos para reparos e reformas.
O conselho, composto por pessoas nomeadas por Trump — com o próprio Trump atuando como presidente —, argumentava que a homenagem garantia compromisso contínuo com a sobrevivência do centro.
“O Conselho entende que, sem esse reconhecimento adequado, é improvável que o presidente Trump exerça a supervisão fundamental da reforma do edifício principal e lidere o resgate financeiro do Centro”, escreveu o conselho em projeto de resolução antes da reunião.
A campanha de Trump para reformular o centro faz parte de esforço mais amplo para deixar sua marca cultural e estética na capital dos EUA, incluindo um novo e amplo salão de festas em substituição à Ala Leste da Casa Branca — cuja demolição Trump ordenou —, além de uma renovação conturbada do espelho d’água do Memorial Lincoln e de um “arco do triunfo” planejado junto ao principal cemitério do país, em homenagem aos mortos nas guerras.
A decisão de terça-feira foi proferida em uma ação movida pela deputada democrata Joyce Beatty, que integra o conselho do centro em virtude de seu cargo no Congresso.
O juiz Cooper já havia determinado, em maio, que o centro removesse o nome de Trump do prédio depois que o centro alterou a fachada de mármore, em dezembro, para exibir a inscrição “The Donald J. Trump and John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts”. Na ocasião, Cooper também impediu o fechamento do centro, ao constatar que o conselho não havia considerado adequadamente as consequências.
Em junho, os funcionários removeram o nome de Trump do centro e deixaram a fachada coberta por andaimes e uma lona branca.
Valor