Juiz ordena que EUA libertem menino de 5 anos e pai detidos em ofensiva migratória em Minnesota
Um juiz federal determinou neste sábado que os Estados Unidos libertem um menino de 5 anos e seu pai, mantidos em um centro de detenção no Texas após serem detidos em um subúrbio de Minneapolis em 20 de janeiro, no contexto da ofensiva migratória do governo do presidente Donald Trump em Minnesota.
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O caso ganhou repercussão depois que circularam imagens do menino, Liam Conejo Ramos, usando um gorro com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, cercado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). As imagens provocaram reações de organizações e apoiadores de direitos civis, além de um protesto em frente ao centro de detenção familiar e a visita de dois deputados democratas do Texas.
Na decisão, o juiz federal Fred Biery, nomeado pelo ex-presidente Bill Clinton, afirmou que “o caso tem sua gênese na perseguição mal concebida e implementada de forma incompetente, pelo governo, de cotas diárias de deportação, aparentemente mesmo que isso exija traumatizar crianças”.
Antes dessa decisão, outro juiz já havia determinado que Liam e seu pai, Adrian Conejo Arias, não poderiam ser removidos dos Estados Unidos, ao menos temporariamente.
Segundo vizinhos e autoridades escolares, agentes federais de imigração teriam utilizado o menino como “isca”, pedindo que ele batesse à porta de casa para que a mãe atendesse. O Departamento de Segurança Interna rejeitou essa versão, classificando-a como uma “mentira absurda”. De acordo com o órgão, o pai teria fugido a pé, deixando o menino dentro de um veículo ligado na entrada da residência.
Durante visita realizada em 28 de janeiro pelos deputados Joaquin Castro e Jasmine Crockett, o menino dormiu nos braços do pai. Segundo Castro, Adrian afirmou que o filho estava frequentemente cansado e com dificuldade para se alimentar no centro de detenção, que abriga cerca de 1.100 pessoas.
Desde a reabertura da unidade no ano passado, famílias detidas relatam condições precárias, como presença de vermes na comida, disputa por água potável e atendimento médico deficiente. Em dezembro, um relatório apresentado pelo ICE reconheceu que cerca de 400 crianças foram mantidas sob custódia por período superior ao limite recomendado de 20 dias.
