Juan Pablo Guanipa: quem é o líder político preso novamente horas após ser libertado na Venezuela?

 

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A líder opositora María Corina Machado denunciou, na madrugada desta segunda-feira, que seu aliado e líder de oposição Juan Pablo Guanipa havia sido sequestrado por “homens fortemente armados”, poucas horas depois de ter sido libertado pelo governo venezuelano após permanecer preso por motivos políticos. Depois, no entanto, a Procuradoria-Geral da Venezuela anunciou que partiu do órgão a solicitação de prisão preventiva de Guanipa.

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“Urgente. Alerta internacional. Há poucos minutos Juan Pablo Guanipa foi sequestrado na urbanização Los Chorros, em Caracas”, descreveu Machado por meio de sua conta oficial no X. “Homens fortemente armados, vestidos à paisana, chegaram em quatro veículos e o levaram violentamente. Exigimos sua libertação imediata”, acrescentou.

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A mesma mensagem foi replicada nas contas de Guanipa: “Denunciamos que um grupo de pessoas armadas interceptou e sequestrou Juan Pablo Guanipa há poucos minutos. Era um grupo de aproximadamente 10 pessoas não identificadas. Conseguimos identificar um Corolla prateado, um Range Rover branco e um Renault Symbol. Exigimos PROVA DE VIDA imediata e sua libertação”.

“Anunciamos ao país que nosso líder nacional, Juan Pablo Guanipa, acaba de ser sequestrado por corpos repressivos da ditadura enquanto se deslocava de um lugar para outro”, indicou, por sua vez, o partido de Guanipa, Primero Justicia.

Enquanto isso, seu filho, Ramón Guanipa, exigiu prova de vida de seu pai e sua “libertação imediata”. “Meu pai foi sequestrado novamente”, diz no início de um vídeo que divulgou nas redes sociais. Ele também responsabilizou o governo por qualquer coisa que aconteça com seu pai.

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Quem é Juan Pablo Guanipa?

Aliado de longa data de María Corina Machado e um dos principais nomes da oposição venezuelana, Guanipa havia sido libertado neste domingo à tarde — junto com outras 34 pessoas — após permanecer mais de oito meses preso ilegalmente em El Helicoide, o maior centro de detenção do país. Após obter sua liberdade, não demorou a se dirigir a seus seguidores e compartilhou um vídeo em suas redes sociais.

“Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio, dez meses escondidos, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos saindo em liberdade. Há muito a falar sobre o presente e o futuro da Venezuela. Sempre com a verdade à frente”, expressou Guanipa.

Guanipa havia sido preso em 23 de maio de 2024, em meio a uma operação oficial contra um suposto plano para “boicotar” eleições regionais. O então ministro do Interior, Diosdado Cabello, o acusou de “terrorista”. Sua última aparição pública havia sido em 9 de janeiro de 2025, ao lado de María Corina Machado, em um protesto para defender a vitória de Edmundo González Urrutia.

No domingo, após ser libertado, o colaborador de Machado havia dito que a Venezuela deve caminhar para um processo eleitoral em que se respeite a soberania popular.

“Acho que isso precisa terminar com o respeito à vontade do povo venezuelano. Ou seja, no dia 28 de julho de 2024, o povo se manifestou, houve ali uma decisão popular. Queremos respeitá-la? Vamos respeitá-la, isso é o básico, isso é o lógico. Ah, não quer respeitá-la? Então vamos a um processo eleitoral”, afirmou.

Libertações sob pressão

Após a libertação de 35 opositores ocorrida neste domingo, González Urrutia advertiu que a medida não implica uma normalização plena: “Essas libertações não equivalem a liberdade plena. Enquanto os processos continuarem abertos e persistirem medidas restritivas, ameaças ou vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas”.

A notícia da libertação de Guanipa havia sido celebrada pela própria María Corina Machado, que escreveu no X: “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para te abraçar. Você é um herói e a história sempre o reconhecerá. Liberdade para todos os presos políticos”.

As libertações ocorrem após a captura de Nicolás Maduro pelo exército dos Estados Unidos em janeiro e a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina. Desde então, o novo governo impulsiona um plano de libertações sob pressão internacional e com o objetivo declarado de promover uma “reconciliação nacional”.