Jovem viraliza ao contar para o pai, dono de bar, que passou em primeiro lugar em Medicina na UEMA
Pintada como nos trotes universitários, Maria Eduarda Saturnino foi ao bar em que o pai trabalha, em Pedreiras, interior do Maranhão, para anunciar que passou em Medicina na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e emocionou não só a sua famÃlia, mas também 2,4 milhões de espectadores, que acompanharam a cena por um vÃdeo viralizado no TikTok, postado pela estudante. No registro, a menina, de 17 anos, vai para dentro do balcão do botequim dar a notÃcia ao pai, Nilsson Saturnino, de 50 anos, que cai em lágrimas imediatamente. A cena é aplaudida pelos clientes do estabelecimento e conta ainda com a chegada da mãe, Cristiane Oliveira, de 44 anos, que se junta aos dois para uma foto para registrar a aprovação.
— Eu estava em casa com a minha mãe e com a minha irmã, só que eu pedi para olhar o resultado do vestibular sozinha. Estava dentro do meu quarto e estava aquela loucura de site caindo, mas acabei achando um PDF e encontrei o meu nome na lista. Eu comecei olhando de baixo o nome porque eu não estava esperançosa. Não estava achando o meu nome, fui ficando mais nervosa ainda, até que achei o meu nome no primeiro lugar — conta Maria Eduarda, que tirou a nota mais alta entre os aprovados em medicina na UEMA, na categoria de cotas para pretos, pardos e indÃgenas do vestibular da instituição, o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (PAES).
A estudante, filha de dona de casa e de um dono de botequim, correu até a sala de sua casa e contou a boa notÃcia para a mãe e para sua prima, que, de prontidão, achou uma tinta em casa e começou a pintar o braço da recém-aprovada em Medicina. A estudante escreveu "MED UEMA 1º lugar" e, ainda sem acreditar em sua conquista, foi até o pai para contar a novidade.
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— Eu já fui correndo para a casa da minha avó, onde meu pai estava trabalhando, porque o bar do meu pai é na casa da minha avó. Na hora do vÃdeo, o meu pai já sabia, só que não tinha caÃdo a ficha dele ainda. Só caiu a ficha quando ele me viu com o braço escrito que tinha sido aprovada. Quando a gente se abraçou, ele disse que tinha muita esperança porque eu era muito perseverante, foi o ano todo nisso. Disse que já estava sentindo. O baque foi maior porque ele não imaginava que eu fosse passar em primeiro lugar no vestibular, e ainda tirasse nota máxima na redação — a jovem detalha a conversa da cena que viralizou na internet.
Dona da casa que abriga o botequim, a mãe de Nilsson foi a inspiração para a escolha profissional de Maria Eduarda. A história de sua avó, Maria de Fátima Carvalho, que é técnica de enfermagem há cerca de 50 anos, fez a menina tomar gosto pela área da saúde e acreditar no poder da educação. Segundo a jovem, a matriarca começou a trabalhar em um hospital de Pedreiras com serviços gerais e decidiu fazer o curso de Técnica de Enfermagem. A menina acompanhava a carreira da avó com o marido dela, seu falecido avô, José de Ribamar Saturnino, e viu na data da divulgação do resultado do vestibular da UEMA um motivo para recordá-lo
— Eu e o meu avô assistÃamos a vários programas, e, quando aparecia algum médico, o meu avô sempre dizia que eu ia ser médica, que ele acreditava, então isso se tornou o meu sonho, e se tornou o sonho que meus pais queriam pra mim também. O meu avô faleceu já vai fazer 5 anos, inclusive o resultado do PAES veio no dia do aniversário do meu avô. Isso teve um significado enorme, porque o resultado era pra ter saÃdo dia 29 de janeiro, só que acabou atrasando sem nenhuma explicação da UEMA, e eles remarcaram justamente para o dia 2, que é o dia do aniversário do meu avô. Isso foi carregado de muito significado pra nossa famÃlia, porque era o nosso sonho — relata a adolescente.
O sonho da famÃlia foi realizado graças a uma rotina intensa de estudos e muitos anos de testes. Maria Eduarda faz vestibulares como treineira desde o 9º ano do ensino fundamental, buscou um curso de redação que cabia no bolso do pai e, no ano seguinte, chegou a dividir 2º ano do ensino médio técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), de perÃodo integral, com um pré-vestibular a noite, chegando a estudar por mais de 12 horas em alguns dias. No último ano do colégio a rotina foi parecida, mas, dessa vez, a jovem, que estudava de 7h à s 12h no colégio, usava a parte da tarde para estudar sozinha nas dependências da escola. Essa maratona de estudos possibilitou que a menina passasse para Medicina na UEMA "direto do terceirão", como comemora.
Agora, com a conquista em mãos, Saturnino planeja, junto com os seus pais, sua mudança para a capital São LuÃs, onde fica o campus da UEMA para o qual passou. Imersa na organização para a viagem, a jovem saboreia a conquista e anseia os próximos passos com alegria e sua avó, sua inspiração, em mente:
— O meu sonho é me formar e minha avó ainda estar atuando na área da enfermagem, para eu aprender tudo com ela na prática. E eu espero aprender muito com o curso, que a faculdade esteja preparada, a cidade nova seja muito receptiva, eu consiga me adaptar e fazer amigos e que eu consiga estudar muito, porque esse é o meu foco. Ser uma boa médica, ter boas oportunidades na faculdade, participar de ligas acadêmicas, participar de tudo que a medicina tem direito — conclui Maria Eduarda.
