JOTA Principal | PT busca reforçar acusação de interferência dos EUA com ação contra a Meta

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Esta é a versão online da newsletter JOTA Principal. Quer receber as próximas edições e acompanhar os principais temas do momento? Cadastre-se gratuitamente! “Construímos plataformas para compartilhar ideias, e debates importantes acontecem em nossos serviços”, disse o CEO e cofundador da Meta, Mark Zuckerberg, em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, em julho de 2020. “Acredito que em última análise isso leve a mais progresso, mas significa que com frequência nos vemos em meio a profundas discordâncias acerca de questões sociais e eleições”, continuou, referindo-se ao contexto de então, sobre desinformação acerca da pandemia de Covid-19. “Pessoalmente, não acredito que empresas privadas deveriam tomar tantas decisões sobre esses temas sozinhas. É por isso que, no ano passado, defendi que é necessária uma nova regulação para a internet”, concluiu Zuckerberg. Desde 2016, com o escândalo da Cambridge Analytica, as principais empresas de redes sociais defendiam em público alguma moderação de conteúdo contra tentativas de manipulação política, como exemplifica o depoimento acima. Mas, com o retorno de Donald Trump ao poder, a maré virou. “Vamos trabalhar com o presidente Trump para reagir a governos em todo o mundo que estão pressionando empresas americanas a censurar mais”, disse Zuckerberg em um vídeo publicado em janeiro do ano passado, quando anunciou cortes no programa de checagem de fatos da Meta, dona de Instagram, WhatsApp e Facebook. “Todos me odiavam no primeiro mandato e agora estão puxando meu saco”, debochou Trump durante discurso em maio de 2025, referindo-se aos executivos e fundadores de big techs. As consequências aparecem agora na eleição brasileira, a poucos dias do segundo turno em que os eleitores escolherão entre Flávio Bolsonaro e Lula — e o desfecho tem potencial para gerar um curto-circuito no resultado da eleição, Vivian Oswald, Edoardo Ghirotto e Flávia Maia analisam na nota de abertura. O PT acusa a Meta de “manipulação algorítmica” e pede a cassação da chapa do PL. O partido de Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que as falhas que a Meta teria classificado como “erro” prejudicam sua candidatura “em intensidade superior”. Paula Bonelli colaborou nesta edição. Boa leitura.

O PONTO CENTRAL 1. Likes e votos Apoiadores filmam Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal em evento de campanha com influenciadores, ontem (20/10) / Crédito: Vittor Sales/Divulgação Acusações de manipulação e interferência estrangeira lançaram as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro em um jogo arriscado — cujo desfecho tem potencial para gerar um curto-circuito no resultado da eleição, Vivian Oswald, Edoardo Ghirotto e Flávia Maia escrevem no JOTA PRO Poder.

Em ação no Tribunal Superior Eleitoral, o PT acusa a Meta de “manipulação algorítmica” e pede a cassação da chapa adversária. Já a campanha do PL apresentou ao tribunal uma petição em que afirma que as falhas que a Meta teria classificado como “erro” prejudicam sua candidatura “em intensidade superior” à de Lula. Assim, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu para ingressar como terceira parte na representação da campanha do petista contra a big tech.

💣 Panorama: A movimentação não quer dizer que o PT esteja disposto a contestar o resultado da eleição, mas é mais uma carta na manga, sobretudo na narrativa do partido, seja em caso de vitória ou de derrota.

A estratégia, segundo interlocutores, é fazer um gesto importante para dissuadir tentativas de manipulação e criar jurisprudência para a próxima eleição.

Sim, mas… Há quem diga que se trata da criação da narrativa de que, se ganhar, ganhou a despeito da interferência, e que, se perder, foi justamente por causa dela.

O problema é que se abre aí um arriscado precedente. O segundo turno pode submeter a democracia brasileira a um filme já conhecido: a possibilidade de questionamento do resultado.

O que o lado perdedor poderá questionar é o que terá acontecido antes do voto: as campanhas de desinformação, a manipulação de narrativas, o papel das plataformas — que suspendem contas e logo adiante se retratam, alegando “falhas técnicas”.

Trata-se de “falhas” que talvez se possa investigar, mas cujo efeito sobre o comportamento do eleitor a caminho da urna não se poderá aferir. Ou seja, não dá para saber quantos votos terão sido perdidos a partir delas. Ainda assim, trata-se de intromissão real no processo, com possível ou provável consequência sobre o resultado.

🤖 O que observar: O cenário motivou a campanha de Lula a levar a denúncia em documento ao relator especial da ONU sobre a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e de Expressão, Leopoldo Maldonado Gutiérrez, e aos observadores internacionais da OEA e do Parlasul.

O texto avisa que esses movimentos vão justamente causar dano que não pode ser resolvido a posteriori. A principal via de informação do eleitor estaria sendo manipulada, o que é muito mais ardiloso, porque não há o que fazer, exceto reclamar antes. “Mas não cabe dizer aos inspetores o que eles devem fazer diante dos fatos”, disse uma fonte ouvida pelo JOTA. O partido pede a eles que se manifestem ou que estejam alertas. A campanha de Lula solicita que as alegações sobre a Meta sejam consideradas “parte do contexto em que se exercem”. Os petistas pedem urgência na análise do relatório, sob a alegação de que a “constatação tardia de uma irregularidade pode contribuir para a justiça, mas não elimina os efeitos que ela tenha produzido sobre uma eleição já concluída”.

Aliás… O governo brasileiro voltou a apontar uma tentativa de interferência no pleito após declarações do presidente argentino, Javier Milei, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico.

Em post, Milei sugere a possibilidade de fraude no segundo turno, ao dizer esperar que “a última artimanha da campanha” de Lula “não envolva roubar a eleição”. Em nota dura, o Itamaraty afirmou que as declarações são uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro. “O presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”, destaca. “Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo.”

UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL) Indústria amplia dependência de bancos tradicionais para crédito Crédito: Gabriel Pinheiro/CNI A dependência do setor industrial brasileiro em relação aos bancos comerciais tradicionais aumentou. Em 2026, 65,3% das indústrias (cerca de duas em cada três) recorreram a essas instituições como principal fonte de financiamento com duração de até cinco anos. No ano anterior, o índice ficou em 61%, segundo a sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre as condições de acesso ao crédito. Para as operações de longo prazo (superiores a cinco anos), os bancos comerciais também mantiveram a liderança, fornecendo recursos para 49,5% empresas do setor. Nesse caso, o percentual apresentou uma leve queda em relação a 2025, quando a participação chegou a 51%. O levantamento da CNI também aponta outras fontes de financiamento utilizadas pelas empresas.

Curto e médio prazo: capital próprio é a segunda opção mais utilizada (23,6%), seguido pelos bancos de desenvolvimento (18,5%). Longo prazo: bancos de desenvolvimento ocupam a segunda posição (29,5%), enquanto recursos próprios ficam em terceiro lugar (23,1%).

2. O que diz a Meta A Meta tem emitido comunicados dizendo que são falsas as alegações de que interferiu no processo eleitoral e que as declarações da campanha lulista “não encontram respaldo nos fatos”.

A empresa respondeu ao TSE que trata os candidatos de maneira isonômica e pediu uma reunião com o ministro Marco Aurélio Bellizze para dar explicações. Representantes da Meta e das campanhas se reuniram com o ministro do TSE ontem (20) à noite. Bellizze concedeu uma liminar proibindo a restrição de alcance de posts dos candidatos e exigindo explicações, sob pena de multa.

O Oversight Board, comitê de especialistas externos e independentes de diferentes países para avaliar decisões da gigante de tecnologia, confirmou que a empresa falhou em manter padrões de transparência para afastar suspeitas de interferência eleitoral.

O documento cita “falhas recorrentes” nos processos de moderação eleitoral da gigante de tecnologia. Se se aprofundarem demais, partido e candidato correm o risco de ganhar, e os opositores questionarem o resultado, lembrando que o próprio partido e candidato já haviam dito que o processo estava contaminado. Ao TSE, neste ponto, cabe a aplicação de multas à Meta. Mas a penalidade pode não ter qualquer implicação sobre o resultado após a apuração dos votos. Existe ainda a possibilidade de cassação das candidaturas, com inelegibilidade e multa — aliás, como pede o PT na ação que ajuizou no Tribunal.

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3. Ida e volta Ponto de ônibus no largo da Carioca, no Rio / Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil O governo decidiu remarcar para hoje (21) a solenidade de envio ao Congresso da PEC que prevê transporte público gratuito aos fins de semana, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.

No mesmo evento, agendado para as 11h no Planalto, Lula sancionará o projeto que amplia o teto de faturamento dos MEIs e perdoa dívidas da categoria, aprovado na semana passada.

🚌 Panorama: A expectativa é de um evento esvaziado, uma vez que muitos parlamentares estão em seus estados participando dos esforços de campanha para este segundo turno.

A cerimônia estava inicialmente prevista para hoje (21), mas, o governo havia optado pelo adiamento por conta da agenda de Lula, que viaja a Belo Horizonte para um ato de campanha. A nova mudança foi decidida no início da noite de ontem (20), e auxiliares do presidente corriam para reenviar os convites.

As medidas são as duas últimas cartadas de Lula com sua caneta presidencial antes de domingo (25).

A PEC busca garantir o passe livre aos fins de semana nas cidades que dispõem de transporte coletivo. Lula apresenta a proposta como complemento ao fim da escala 6×1. Ele argumenta que, além de dois dias de descanso, o trabalhador teria condições de sair com a família sem gastar com passagem. O presidente quer usar recursos de emendas parlamentares para financiar a gratuidade.

⏩ Pela frente: A votação no Congresso será apenas após a eleição, já que não há sessão prevista para esta semana.

4. ‘Vira Pix’ Flávio e Daniella Marques em evento com influenciadores / Crédito: Vittor Sales/Divulgação A campanha de Flávio Bolsonaro também anunciou pacote de bondades na reta final do segundo turno, Mariah Aquino registra no JOTA. 💥Panorama: Daniella Marques, assessora econômica da chapa do PL, propôs ontem (20) um mecanismo chamado “vira Pix”, que devolveria parte dos valores pagos pelos consumidores via Pix.

Em um vídeo nas redes, a medida é descrita como “um plano de recompensa para todo mundo no Brasil”. A ideia é devolver parte do dinheiro gasto em “conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar”.

A peça, porém, não informa custos, formas de implementação e operações elegíveis para o cashback.

Flávio defendeu também ontem (20) o retorno do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). O programa de benefício fiscal ao setor de eventos foi criado na pandemia.

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5. Snorkel O ministro Alexandre de Moraes / Crédito: Gustavo Moreno/STF O comando da nova investigação contra Flávio Bolsonaro pode renovar o fôlego de Alexandre de Moraes na busca por seu futuro no Supremo — seja por meio de contra-ataques ao bolsonarismo ou em negociações para permanecer ministro, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.

Com a cabeça a prêmio após a nova composição do Senado a partir de 2027, o ministro tem começado as articulações para tentar se salvar dos pedidos de impeachment. Interlocutores próximos apontam que Moraes ficou preocupado com a guinada da extrema direita.

🔭 Panorama: Caberá a Moraes apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio, o advogado Willer Tomaz, entre outros nomes aliados do PL, como Cláudio Castro e Alexandre Ramagem.

O inquérito chegou ao STF no dia 8 de outubro e foi distribuído por meio de sorteio no dia 16 de outubro. O caso estava na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e chegou ao STF após a PF quebrar o sigilo telemático de Tomaz e encontrar emails que apontavam que Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. A PF apura crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema. A nova investigação chega após Moraes perder a relatoria do inquérito das fake news, principal instrumento usado pelo ministro para investigar bolsonaristas.

🔮 O que observar: Moraes sabe que qualquer passo será definitivo para se manter na cadeira do STF.

Desde as eleições, o ministro tem dado sinais trocados quanto ao bolsonarismo. Nas conversas que tem tido com ministros, Rogério Marinho tem dado sinais que o bolsonarismo não quer implodir a Corte, mas que não abre mão do impeachment de Moraes. A certeza de Moraes é que ele é o alvo do Congresso de 2027 e qualquer informação vale ouro para tentar impedir ou retardar processos de impeachment contra ele. Por isso, um novo inquérito contra Flávio veio a calhar.

6. Rachadura Maquininhas de cartão de crédito, débito e vales / Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil O split payment, sistema de recolhimento automático de impostos da reforma tributária, virou tema da disputa presidencial, Letícia Mori escreve no JOTA.

“Ele simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado”, disse Daniella Marques em entrevista na semana passada. Já o governo Lula avalia que o fim do split payment elevaria a alíquota geral do IBS/CBS. Os testes começam em 2027, apenas para transações entre empresas e com adesão opcional, e a obrigatoriedade pode vir a partir de 2029.

Entenda como o mecanismo vai funcionar na reportagem completa.

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