Os dois candidatos do PL ao Senado pelo Rio, Carlos Jordy e Carlos Portinho, atuaram em dobradinha no debate promovido pela OAB-RJ e pelo jornal O Dia nesta terça-feira e concentraram fogo em Pedro Paulo (PSD) ausente do encontro.
Num bloco sobre violência contra a mulher, Portinho escolheu o correligionário para responder se “homem que bate em mulher merece voto”, e Jordy aproveitou a deixa para atacar o candidato da chapa de Eduardo Paes, afirmando que ele tenta fazer os eleitores “esquecerem seu passado”.
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Jordy fazia referência às acusações de agressão feitas pela ex-mulher de Pedro Paulo, deputado federal em seu quarto mandato consecutivo, que vieram a público em 2015.
O caso, no entanto, foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
— É inacreditável que nós tenhamos uma pessoa que se coloca como candidato ao Senado Federal, e ele simplesmente quer que as pessoas esqueçam do seu passado.
Inclusive, ele deveria estar aqui para conversar e para dar explicações — afirmou Jordy.
— Acho uma covardia, tanto quanto a ausência do candidato no debate — emendou Portinho.
Benedita da Silva (PT), que também não compareceu, entrou na mira de Jordy pela aliança com Pedro Paulo, mas o principal alvo da dupla do PL foi o deputado do PSD.
Ao longo do trecho, Portinho e Jordy trocaram elogios e não houve confronto entre os dois.
— Também lamento que a Benedita, uma mulher negra, ativista dos direitos das mulheres, esteja dobrando com uma pessoa que tenha esse histórico.
Isso mancha a sua reputação — disse Jordy.
Na sequência, o deputado defendeu que homens que agridem mulheres sejam punidos e apresentou propostas voltadas à autonomia financeira feminina.
Segundo ele, muitas mulheres deixam de denunciar agressores porque permanecem economicamente dependentes deles.
— Homem que agride mulher não merece seu voto, merece cadeia — afirmou Jordy.
Portinho, atual senador e candidato à reeleição, defendeu propostas semelhantes.
Os dois correligionários trocaram elogios durante o trecho e não houve confronto entre eles.
Sobre a ausência, a assessoria de Benedita informou que avisou a organização, assim que foi procurada, que a deputada estaria em Brasília na data do debate.
Segundo a equipe, por esse motivo, a campanha nem participou da reunião em que foram definidas as regras do encontro.
Benedita está na capital federal desde segunda-feira e retorna ao Rio nesta quarta.
Farpas
Mônica Benício, única mulher presente no debate, também aproveitou uma resposta para criticar a decisão de Portinho de chamar Jordy para falar sobre um tema diretamente relacionado à defesa das mulheres.
Na pergunta anterior, o senador havia escolhido o deputado para responder.
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— Quando a gente vê as mulheres ocupando lugares na política, ocupando lugares de poder, e sequer ainda assim sendo convidadas a falar sobre o tema como autoridade — afirmou Mônica.
Viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica é arquiteta urbanista, foi eleita vereadora do Rio em 2020 e reeleita em 2024 pelo PSOL, e tenta uma vaga no Senado pela primeira vez.
No terceiro bloco do debate, Monica escolheu Marcelo Crivella para responder a uma pergunta sobre a regulamentação das redes sociais, mas aproveitou a abertura para criticar a gestão do adversário como prefeito do Rio.
A vereadora do PSOL afirmou que Crivella teve, “reconhecidamente pela maior parte da população, uma das piores gestões que o Rio de Janeiro teve”.
Em resposta, Crivella rebateu destacando as dificuldades financeiras que, segundo ele, encontrou ao assumir a prefeitura e passou a listar ações de sua gestão na saúde.
O ex-prefeito também afirmou que precisou “tirar dinheiro do carnaval” para investir na área:
— sofri muito, cheguei a ser preso, depois inocentado — destacou Crivella.
Quem também atacou Crivella foi Portinho, que aproveitou uma fala de Jordy sobre encarceramento e a discussão sobre a saída temporária de presos, a chamada “saidinha”, para criticar o adversário.
O senador afirmou que, em 2024, Crivella votou a favor de um dispositivo relacionado à saída temporária de presos em feriados.
Portinho também direcionou a crítica a Benedita da Silva, que também votou a favor da medida.
— Eu votei contra.
Candidato Crivella, infelizmente, não.
Deve ter alguma razão, talvez seja pela família, mas a gente tem duas famílias: a do cidadão de bem também e a do policial — afirmou Portinho.
Afagos
Além de Jordy e Portinho, participaram do encontro Mônica Benício (PSOL), vereadora do Rio em segundo mandato; Marcelo Crivella (Republicanos), deputado federal e ex-prefeito do Rio; Marcos Dias (Podemos), vereador do Rio; e Waguinho (Republicanos), ex-prefeito de Belford Roxo.
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Em outro momento, Crivella, que já foi senador, ministro e prefeito do Rio, também deixou de lado o tom de confronto e fez uma espécie de dobradinha com Marcos Dias durante a discussão sobre trabalho e emprego.
Na hora de questionar o adversário, o deputado federal e ex-prefeito do Rio chamou o vereador de “homem de sucesso” e o usou como exemplo de trajetória profissional.
— Marcos, querido, está na Bíblia: “Do suor do teu rosto tirarás o teu sustento”.
Você é um homem de sucesso, é um exemplo para nós.
Começou vendendo na feira e hoje é um empreendedor e político de sucesso — afirmou Crivella.
Marcos Dias respondeu chamando Crivella de “querido”, e os dois concordaram entre si durante o debate.
Duas vagas ao Senado em disputa
Nas eleições de 4 de outubro, os eleitores do Rio escolherão dois senadores.
Diferentemente dos demais cargos majoritários, cada eleitor terá dois votos para o Senado.
O estado tem mais de 13 milhões de eleitores distribuídos pelos 92 municípios.
O senador é responsável, entre outras funções, por fiscalizar o Poder Executivo, participar da criação de CPIs e votar indicações do presidente da República para cargos como diplomatas, procurador-geral da República e ministros do Supremo Tribunal Federal.
Benedita lidera numericamente
A ausência de Benedita e Pedro Paulo ocorre numa disputa ainda aberta, segundo a pesquisa mais recente da Quaest.
Divulgado em 25 de agosto, o levantamento mostra Benedita numericamente na liderança, com 10% das intenções de voto.
Em seguida aparecem Carlos Jordy, com 7%, e Marcelo Crivella, com 6%.
Mônica Benício e Carlos Portinho têm 5%.
Pedro Paulo aparece com 3% e Waguinho, com 2%.
A pesquisa foi a primeira Quaest realizada depois do início oficial da campanha e ouviu 1.302 pessoas entre 21 e 24 de agosto.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-08748/2026.
O cenário ainda é marcado pelo alto número de eleitores sem decisão.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de nomes, 88% não souberam ou não quiseram citar um candidato.
Benedita foi mencionada por 2%; Jordy, Portinho, Crivella e Mônica Benício, por 1% cada.
Outros 5% disseram que votarão em branco, nulo ou não pretendem comparecer às urnas.
