A jornalista Joice Hasselmann afirmou na Rede TVT que avisou as autoridades sobre o plano de fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Ela disse que não foi um alerta, mas uma acusação feita com todas as letras.
“Foi uma afirmação mesmo, eu disse com todas as letras, gravei para que chegasse aos ouvidos das autoridades de que já tinha um plano”, declarou Joice. Segundo ela, a informação veio de fontes ligadas ao fretamento do jatinho usado na fuga.
Joice afirmou que atua há 25 anos no jornalismo investigativo e político. “Se tivessem prestado mais atenção teriam evitado a fuga desse rato”, disse.
O prazo que virou crítica Joice criticou o prazo dado pela Justiça para a entrega do passaporte.
Para ela, o documento deveria ter sido tomado imediatamente. “Deram 24 horas para o Flávio entregar o passaporte e o passaporte deveria ter sido imediatamente tomado das mãos dele”, afirmou.
A crítica encontra eco nos fatos já apurados: o senador não entregou o passaporte até o prazo final determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que se encerrou na terça-feira (27), e a Polícia Federal apontava riscos “concretos e atuais” de fuga antes do embarque.
De volta ao jato A ligação que Joice faz entre fontes do fretamento e o plano de fuga toca no ponto mais sensível da investigação: a PF apura se o jato ligado ao advogado Willer Tomaz, alvo do esquema de apostas esportivas investigado contra o senador, teria sido usado para levar Flávio até a Argentina antes do embarque aos Estados Unidos, segundo a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.
A fuga completa uma semana de desdobramentos: o senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após a derrota no segundo turno, os Estados Unidos concederam vistos à família, e o governo Lula trabalha sem expectativa de extradição, preferindo sinalizar relação pragmática com Washington.
Joice contou ainda por que considera Flávio o pior dos Bolsonaro. Ela lembrou de uma visita ao apartamento dele no Rio de Janeiro, na pré-campanha, quando, segundo ela, viu obras de arte que, na versão dela, eram usadas para lavar dinheiro.
Joice não apresentou provas da acusação na entrevista. “Quando eu cheguei naquele apartamento, assim, parte do meu mundo caiu”, disse.
Ela relatou que passou mal e vomitou no saguão do aeroporto. Segundo Joice, o rompimento com Jair Bolsonaro teve relação com os esquemas de Flávio.
“O Jair Bolsonaro queria que eu, como líder de governo, defendesse um bandido. E eu disse pra ele, bandido, eu não defendo”, afirmou.
Joice questionou como um senador compra uma casa de 14 milhões de reais. “Como é que alguém com salário de senador compra uma casa que vale 14 milhões? Ele disse que foi 6, mentira, vale 14”, declarou.
O tom da crítica vinda da própria base O tom duro de Joice Hasselmann, deputada que fez carreira no bolsonarismo e rompeu com o núcleo em anos anteriores, ilustra o desconforto de setores da própria base conservadora com a imagem de um senador fugindo do país sem cumprir determinação judicial.
Na rede TVT, ela evitou defender o colega de campo político e concentrou as críticas na decisão judicial que permitiu a janela de tempo usada para o embarque. A Rede TVT publicou o vídeo da declaração, e o trecho do “rato” circulou nas redes sociais ao longo da noite, com repartição entre críticos do senador e defensores da tese de perseguição judicial.
As afirmações de Joice são autodeclaratórias e não foram confirmadas por fonte independente até o fechamento desta reportagem; a casa registra o teor das declarações com atribuição direta à jornalista, sem endossar as acusações. O senador responde, além do esquema de apostas ligado a Willer Tomaz, à suspeita de financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a derrota no segundo turno não encerrou nenhuma das frentes de apuração que correm na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal.
Com informações da Rede TVT.
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