Jogos mundiais nômades: ‘olimpíada’ da Ásia Central tem esportes inusitados e até torcida brasileira

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Fonte da notícia: CBN CBN

Adestramento de falcões, quebra de ossos, tiro com arco durante corridas de cavalos e até uma espécie de “futebol” em que os times disputam uma cabra estão entre as modalidades da sexta edição dos Jogos Mundiais Nômades, que acontecem nesta semana no Quirguistão.

Em 2026, o evento esportivo chega à sua sexta edição voltando ao pequeno país encravado na Ásia Central, onde os jogos surgiram graças às tradições de povos nômades (que vivem em acampamentos, sem se fixarem em um único local), vivas até os dias atuais. Neste ano, o programa conta com mais de 40 modalidades esportivas. São 3000 atletas de 106 paises. Todas são expressões culturais étnicas, em geral, de povos asiáticos. Elas estão divididas em categorias que compreendem lutas, competições de força, corridas com cavalos, tiro com arco, esportes mentais e adestramento de animais, entre outras.

Brasil marca presença Apesar dos 14 mil quilômetros de distância e das competições por vezes peculiares, as ‘olimpíadas’ nômades contam com a participação de brasileiros, tanto entre os atletas, quanto entre os torcedores. Um time brasileiro competiu no cabo de guerra, modalidade que já fez parte, inclusive, do programa olímpico entre 1900 e 1920. Outra equipe competiu nos esportes mentais. Já o lutador Guilherme Fugita participou do torneio de wrestling estilo Alysh, uma modalidade centro-asiática em que os competidores devem segurar no cinto da calça do oponente durante toda a luta. Er Enish Na maior parte das categorias, basta se inscrever e formar um time para participar, independentemente de pertencer ou não a uma etnia nômade. Em geral, não são realizadas seletivas para as vagas. Nenhum dos atletas do Brasil avançou muito na competição. No entanto, a torcida verde e amarela, composta por cerca de 15 pessoas, não vem passando despercebida. Entre os integrantes está o criador de conteúdo Leo Perillo, que passou seis meses planejando a viagem ao Quirguistão para conferir os jogos de perto, após conhecer a competição pelas redes sociais.

‘Com certeza, foi a torcida mais agitada de todas. Fizemos uma bagunça de brasileiros por lá’, conta. ‘Gritamos muito, levamos vuvuzelas e fizemos mais barulho do que qualquer outra torcida, incluindo a do Quirguistão!’ O paulista, de 25 anos, considera que a participação nos Jogos Nômades é uma das melhores experiências que já vivenciou.

‘Os jogos, em si, são demais. São a coisa mais legal que já fiz na minha vida, com certeza’, diz ele. ‘eles são organizados, mas, ao mesmo tempo, um pouco desorganizados. Então têm essa magia, de não trazerem burocracia’, conta. Para ele, o momento mais impactante da competição foi o torneio de Kok Buru, jogo tradicional quirguiz que é uma das maiores atrações dos jogos. Neste esporte, duas equipes de competidores, montados à cavalo, disputam a carcaça de uma cabra e devem levá-la até uma caldeira, para marcar uma espécie de “gol”. “É um esporte de muita força, equilíbrio e controle, tanto do corpo, quanto do cavalo”, comenta o brasileiro.

Outro destaque é o Er Enish, luta em que os dois competidores também estão montados em cavalos.

Kok boru Nas redes sociais, Leo Perillo vem publicando vídeos em que documenta a experiência nos jogos.

Caminho até os jogos é atração à parte A sexta edição dos Jogos Mundiais Nômades é realizada em várias partes do Quirguistão, país de 7 milhões de habitantes que fez parte da União Soviética até 1991. A cerimônia de abertura foi realizada na capital, Bisqueque. No entanto, a maior parte das competições ocorre no entorno do lago Issyk-Kul, a cerca de 3h de distância de carro. Alguns torneios ocorrem em modernas instalações da cidade turística de Cholpon-Ata, às margens do lago, mas outras modalidades são disputadas até mesmo ao ar livre, em vilarejos do entorno.

Para chegar aos locais de competição, Leo Perillo e o companheiro de viagem, o irlandês Jack, optaram por desembarcar em Tashkent, capital do vizinho Usbequistão, para seguir por terra até o território quirguiz. Um trecho foi percorrido por trem e o restante, pela estrada, ao longo de 3 dias. A viagem não foi fácil, pois o carro alugado apresentou defeitos, e, em alguns trechos, a dupla teve de pedir carona. No entanto, para o brasileiro, a jornada trouxe surpresas positivas.

‘O caminho é maravilhoso, muito lindo. Tivemos diversos perrengues, mas o que me surpreendeu foi, principalmente, a curiosidade e a hospitalidade do povo. Em diversos momentos, passávamos por vilas e as pessoas nos chamavam para comer, entrávamos nas casas e as pessoas ainda nos davam comida para continuarmos a viagem. Até nos ajudavam a arrumar o carro, quando não conseguíamos’, relata.

Jogos nômades Arquivo pessoal Após a aventura, os amigos conseguiram chegar a tempo para conferir toda a programação, que conta ainda com diversas apresentações artísticas para celebrar o modo de vida nômade. O evento, no entanto, é relativamente curto: a edição atual dos Jogos Mundiais Nômades se encerra no próximo domingo, dia 6 de setembro. Uma nova edição deve ocorrer em 2028, mantendo a periodicidade bienal do evento. O local-sede será o Tartaristão, região autônoma da Rússia.

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