Jogo Político: a conversa de Flávio e Jair e o desgaste do novo homem forte da campanha

 

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Este conteúdo faz parte da newsletter Jogo Político, de Thiago Prado, editor de Política e Brasil do GLOBO. Inscreva-se e receba todas as quintas-feiras diretamente no seu e-mail.

Desde que se tornou advogado formal do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a visitá-lo todo dia entre 8h e 18h por apenas 30 minutos. Minutos depois das 14h31 de quarta-feira — quando o site Intercept publicou a reportagem com os áudios de seus pedidos de recursos para o banqueiro Daniel Vorcaro —, ele se dirigiu às pressas ao Condomínio Solar de Brasília, onde o pai cumpre pena em regime domiciliar. Precisava falar com (e ouvir) o maior fiador da sua candidatura presidencial.

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Flávio saiu da conversa com a garantia de que segue escolhido como o sucessor do pai, o que enterra as especulações que explodiram nos grupos de Whatsapp da direita envolvendo o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Dali, o senador partiu para uma tensa reunião no quartel-general da campanha, no Lago Sul, e contou a aliados irritados a versão que acertara com o pai. Nem todo mundo acreditou na história que ouviu. Primeiro, porque Flávio passou meses dizendo que escândalos novos não apareceriam e que restaria à esquerda apenas requentar denúncias como a rachadinha e a compra da mansão onde mora por R$ 6 milhões. Segundo, porque o deputado federal Mário Frias (PL) e o influenciador Paulo Figueiredo negaram que o dinheiro negociado com Vorcaro tenha financiado o filme “Dark horse”.

Flávio disse a aliados que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024 por intermédio do ex-policial civil e publicitário Marcello Lopes, o Marcelão, seu amigo pessoal e dono da agência Cálix Propaganda. A reunião, jura o senador, ocorreu apenas para falar do patrocínio ao longa-metragem em homenagem ao pai. Marcelão amarrou o encontro do senador com Vorcaro com o empresário Thiago Miranda, dono da Agência Mithi. Segundo as investigações da Polícia Federal, foi Miranda que desenhou a estratégia digital de Vorcaro, contratando influenciadores para fazer uma campanha de desinformação contra o Banco Central. Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na segunda-feira apontou o envolvimento de Marcelão no plano para descredibilizar a autoridade monetária — o que ele nega.

O dono da Cálix já havia virado notícia no início da semana devido ao anúncio de que será o coordenador de comunicação da campanha de Flávio. O movimento do senador incomodou a cúpula do PL por ir na contramão do que vinha sendo pensado na campanha desde o início do ano.

Embora a Cálix tenha contas públicas relevantes como parte da Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo, o Sebrae e o BRB, Marcelão não é uma grife do marketing político — justamente o tipo de profissional que vinha sendo sondado. Flávio chegou a abrir negociações com nomes como Paulo Vasconcelos, hoje marqueteiro do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), e o argentino Jorge Gerez, atualmente responsável pela estratégia do governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD). Em conversas, o senador sempre citava o poder de fogo do fundo eleitoral do PL (calculado em cerca de R$ 1 bilhão) para bancar uma campanha de comunicação robusta. Só para o digital, o senador diz ter fôlego para gastar cerca de R$ 25 milhões até outubro.

Além da afinidade pessoal e ideológica, Flávio e Marcelão estão na mesma sintonia religiosa. Eles frequentam a Igreja Comunidade das Nações, do bispo JB Carvalho e suas esposas são muito próximas. Para tirar a pecha de que está na função apenas por ser amigo do senador, o dono da Cálix se mexeu. Já disse internamente que não quer ser chamado de marqueteiro, mas sim coordenador de uma equipe de comunicação com executivos experientes no setor privado. Walter Longo, ex-presidente do Grupo Abril, será um deles. Longo, que participou do programa O Aprendiz, apresentado por Roberto Justus, vai cuidar de melhorar a oratória de Flávio nos próximos meses.

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"O diabo veste Prada"

"Fazer uma sequência 20 anos após o filme original sem parecer mero caça-níqueis é um desafio. “O diabo veste Prada 2” tem dois trunfos: personagens que o espectador vai amar rever e atores à altura", destacou a crítica do GLOBO sobre o filme com Meryl Streep e Anne Hathaway, continuação do longa-metragem lançado em 2006.

Mais do que o carisma dos personagens, há reflexões interessantes sobre os desafios do jornalismo. Ao contrário da versão de vinte anos atrás, "Diabo veste Prada 2" fala bem menos de moda. Estão ali os desafios da indústria com a queda de receitas das empresas de mídia a partir do 'boom' da internet dos últimos trinta anos. Estão ali os desafios de jornalistas em busca de entrevistas exclusivas e relevantes.

A crítica da Folha de S. Paulo foi por um caminho oposto ao do GLOBO. "O roteiro merecia mais argumentação (...)", escreveu. Há elogios a Meryl Streep: "Mesmo no piloto automático, ela dispara caras e bocas que ainda surpreendem o público". E estocadas em Anne Hathaway: "Sua segunda encarnação de Andy não repete o vigor do primeiro filme. Suas cenas com novos personagens, os jovens funcionários da revista, não decolam."