Jogadoras do Afeganistão celebram decisão que autoriza seleção a disputar competições da Fifa

 

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Pela primeira vez na história, a seleção feminina do Afeganistão poderá defender as cores do país em competições com a chancela da Fifa. A autorização veio nesta quarta-feira durante o Congresso de Vancouver, no Canadá. Em videochamada com o presidente da entidade, Gianni Infantino, as atletas receberam a tão esperada notícia e celebraram muito.

A decisão da Fifa dá o aval para que as atletas defendam o nome do Afeganistão oficialmente, não mais como seleção de refugiadas, e sem a necessidade de uma autorização/aprovação do Talibã, que não aceita mulheres no esporte do país.

"Vocês me dão a força e a energia para acreditar nesta empreitada, neste projeto, para deixar de lado todos os potenciais obstáculos que existiram e que ainda existirão no futuro. Não importa, juntos podemos fazer tudo o que quisermos. Juntos, podemos alcançar qualquer resultado. Isto é histórico, isto é lindo, isto é fantástico para todas vocês, e estou muito orgulhoso de vocês", disse Infantino na mensagem às jogadoras afegãs.

"Perder a identidade é muito difícil. É como se você não pertencesse a lugar nenhum", destacou Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã que há tempos lutava para que as companheiras de seleção pudessem representar seu país em competições da Fifa. "Recuperar nossa identidade é a coisa mais poderosa que podemos fazer, porque não estamos pensando apenas em nós mesmas: é por todas as meninas que sonharam e que ainda sonham", frisou.

Popal acompanhou online a notícia e não escondeu a emoção. "Este reconhecimento nos dá a plataforma e o poder de sermos a voz de nossas irmãs que perderam seus direitos e suas vozes. Queremos transmitir às meninas e mulheres do Afeganistão a mensagem de que não devem desistir. Sabemos o quão difícil é a situação. Sabemos o quão desesperadora e difícil ela é, mas queremos dizer a elas que estamos aqui por vocês. Nós as ouvimos e seremos a voz de vocês", seguiu Popal.

Infantino já havia acompanhado um torneio não-oficial em 2025 no Marrocos, no qual o Afeganistão encarou Tunísia, Chade e Líbia. Desde então, ele tentava mudar o regulamento para que as afegãs pudessem jogar partidas oficiais, o que aconteceu nesta quarta-feira.

"Significa muito para a seleção feminina de futebol do Afeganistão, estamos lutando por isso há tanto tempo", disse Popal. "Toda a situação das mulheres afegãs é muito emocionante, é difícil não se emocionar. Essa jornada nunca foi fácil para nós. Este é o nosso momento. Esta é a nossa hora."

Atual capitã da equipe, Fatima Haidari, também participou da videochamada. "Acreditamos firmemente que isso pode continuar e que transmitirá uma mensagem poderosa ao mundo, não apenas sobre as meninas no Afeganistão, não sobre nós, não sobre este momento histórico, mas sobre as mulheres em todo o mundo", disse o atual capitã da seleção, Fátima Haidari.

Haidari recordou a promessa que ouviu de Infantino no Marrocos. "Quando o senhor me entregou o pingente oficial da Seleção Feminina Afegã Unida, senti o peso da história em minhas mãos."

A Fifa destacou que vai liderar as etapas administrativas e preparatórias necessárias, incluindo o registro das equipes e o estabelecimento de uma estrutura operacional e esportiva. "A entidade fornecerá todos os recursos necessários, humanos, técnicos e financeiros para garantir um caminho seguro, profissional e sustentável para a competição oficial."