Jogador de basquete evita pena de morte na Indonésia, mas relata drama na prisão: 'Não estou aqui para fazer amigos'

 

Fonte:


O jogador de basquete americano Jarred Shaw, detido em 2025 na Indonésia por posse de cannabis, escapou da pena de morte prevista para crimes de tráfico no país asiático, mas foi condenado a 26 meses de prisão e multado em 50 mil dólares (o equivalente a cerca de R$ 250 mil).

'Surpreendente e viral': jornal espanhol destaca Romário curtindo o carnaval no Rio; veja vídeo

Atacante do Benfica quebra silêncio e cobra apuração rigorosa no caso Prestianni: 'Se for verdade, não posso aceitar'

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, concedida após dois meses de detenção, o jogador de 35 anos descreveu os problemas de saúde que enfrenta na cadeia, detalhou a rotina atrás das grades e manifestou esperança numa libertação antecipada por motivos médicos.

Segundo a publicação, Shaw sofre de doença de Crohn, uma enfermidade inflamatória crônica que afeta o trato digestivo e pode causar dores intensas, náuseas, vômitos e dificuldades na absorção de alimentos. O atleta afirma que utilizava produtos à base de cannabis para aliviar os sintomas.

— Não as uso para me divertir ou ir a festas. Com a minha condição estomacal, às vezes é difícil reter comida ou ir ao banheiro. Simplesmente acalma um pouco a dor — declarou em outubro de 2025.

Detido em Jacarta após levantar uma encomenda com 132 gomas de cannabis — totalizando 869 gramas —, Shaw alegou que o produto era para uso medicinal. A legislação indonésia, contudo, é rígida: posse de drogas pode resultar em prisão, e tráfico é punido com pena de morte.

Após julgamento, escapou da acusação de tráfico, mas recebeu pena de prisão.

— Foi um alívio saber que não receberia a pena de morte. Mas, olhando para trás, é uma situação terrível. Gostaria de poder voltar e mudar as minhas ações — afirmou.

Em novembro de 2025, o jogador foi avaliado por um médico, que confirmou diagnóstico prévio de colite ulcerosa, infeção por E. coli, anemia ligeira e dores abdominais persistentes. Desde a detenção, perdeu 16 quilos — passou de 111 para 95.

Shaw ainda aguarda autorização para realizar exames complementares, como colonoscopia e ecografia intestinal. Ele teme que as úlceras no cólon se agravem e evoluam para complicações mais graves.

— Mesmo que não haja cura para a doença de Crohn, é preciso tratá-la. Caso contrário, pode piorar — disse. — Espero que alguém com mais poder me ajude, pelo menos, a chegar ao hospital.

Após intervenção da embaixada dos Estados Unidos, o texano foi transferido de uma prisão superlotada para outra unidade, onde divide cela com quatro detidos. Para manter a mente ocupada, treina no ginásio da prisão, joga tênis quando a condição física permite e escreve um livro sobre a própria história.

— Mantenho a mente ocupada e fico mais isolado. Não estou aqui para fazer amigos. Os dias passam assim — relatou.