João Guilherme vive hacker em 'O rei da internet' e reflete sobre adolescência e pertencimento na era digital: 'Agimos muito por impulso'

 

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Quando o diretor Fabrício Bittar apresentou o roteiro de “O rei da internet”, João Guilherme vislumbrou imediatamente o que definiu como um "potencial eletrizante". Para o ator, o projeto trouxe uma responsabilidade dupla: assumir o papel mais disruptivo de sua carreira e dar vida a um personagem real. O novo longa, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14), mergulha na trajetória de Daniel Nascimento, considerado um dos maiores hackers do Brasil no início dos anos 2000, época em que a internet ainda era discada e os computadores usavam disquetes.

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— É sobre saber reconhecer o potencial das coisas — resume João, em entrevista ao GLOBO.

Em 2005, a Polícia Federal deflagrou a primeira grande operação contra crimes virtuais do país. Um dos alvos era Daniel Nascimento, um jovem hacker de 16 anos que movimentava milhões junto a uma organização criminosa. O longa retrata sua escalada de invasões a servidores de empresas e sistemas governamentais, tudo regado a festa, ostentação e luxo. Entre os ataques atribuídos a ele, um episódio que deixou parte do Nordeste sem internet por dias.

Para construir o personagem, João passou um período convivendo com o verdadeiro Daniel, hoje à frente de uma empresa de cibersegurança, e determinado a desmistificar a imagem criminalizada de hackers no Brasil.

Para o ator, Daniel "cometeu erros" na adolescência, mas "ganhou uma segunda chance e está sabendo aproveitar".

É a opinião de quem conhece a vida pública de longa data. Antes mesmo do primeiro trabalho como ator (aos 9 anos, ao lado de José de Abreu, no filme "Meu pé de laranja lima"), João já crescia sob holofotes por ser filho do cantor Leonardo. A carreira nas artes só ampliou essa exposição.

Na trama, o personagem que ele interpreta carrega dilemas que não lhe são de todo estranhos: a sedução pelo reconhecimento, o peso do olhar alheio, as consequências de cada passo dado em público.

– Toda ação tem uma consequência. Quando somos jovens, costumamos agir muito por impulso e muito nessa busca por um lugar de pertencimento, mas, ao mesmo tempo, a gente precisa ter responsabilidade diante das nossas ações – opina João.

O elenco robusto, que traz Marcelo Serrado como o mentor da quadrilha, serviu de suporte para a construção desse ambiente de tensão e camaradagem. Para João, a troca com Serrado foi um dos pontos altos da jornada.

— É um cara que eu admiro muito e que eu cresci assistindo na TV, então foi demais poder trocar com ele durante as gravações, poder ouvi-lo e absorver a experiência que ele tem— celebra.

Além de dirigir o filme, Bittar assina o roteiro, ao lado de Vinícius Perez. O elenco ainda conta com nomes como Emílio de Mello e Bia Seidl, interpretando os pais de Daniel; Débora Ozório, como a namorada, além de Adriano Garib, Kaik Pereira, Clarissa Muller, André Ramiro e Eri Johnson.