JK foi assassinado pela ditadura militar, aponta relatório que diverge de versão de acidente de carro

 

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O ex-presidente Juscelino Kubitschek teria sido assassinado em 1976 pela ditadura militar, de acordo com um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que diverge das conclusões apresentadas pela Comissão Nacional da Verdade. Até hoje, a versão oficial sustenta que o político morreu em um acidente de carro. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de São Paulo e confirmadas pelo jornal O Globo.

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A relatora do caso envolvendo o ex-presidente é a Doutora em História Maria Cecília Adão, que desde 2024 trabalha de forma articulada com pesquisadores do tema a fim de oferecer um relatório sobre o caso. Segundo uma nota da Comissão divulgada nesta sexta-feira (8), um relatório – com extensa documentação – foi apreciado em Reunião Ordinária, no dia 1° de abril deste ano.

Os integrantes, no entanto, quiseram avisar os familiares sobre o conteúdo das apurações reunidas em todas as documentações, antes da votação.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o relatório ainda segue em análise e não foi submetido à votação. Ao final da deliberação, as provas produzidas pela comissão durante os trabalhos serão divulgadas.

Segundo o Jornal O Globo, uma reunião chegou a ser agendada para 24 de abril, em São Paulo, mas foi adiada a pedido dos integrantes. Eles alegaram a necessidade de mais tempo para analisar o relatório, de mais de cinco mil páginas.

Ex-presidente ficou conhecido pela construção de Brasília

Juscelino Kubitschek ficou conhecido pelo lema “50 anos em 5” e pela construção de Brasília durante o período em que presidiu o Brasil. Ele morreu em 22 de agosto de 1976, em plena ditadura militar brasileira, durante a Operação Condor, período marcado por perseguições, tortura e eliminação de adversários políticos. No carro em que JK estava também morreu o motorista do veículo Geraldo Ribeiro.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi criada para reconhecer casos de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar e também auxiliar na busca e localização dos corpos das vítimas.

O colegiado é formado por sete integrantes indicados pela Presidência da República, com representantes do Ministério da Defesa, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, do Ministério Público Federal, além de pessoas ligadas às famílias de mortos e desaparecidos políticos e membros da sociedade civil.